2014, ano de Copa do Mundo no Brasil, uma euforia abafada e um clima de não muita confiança começava a tomar conta das ruas e, na medida em que o evento se aproximava, entre uma série de eventos políticos ocorrendo simultaneamente no Brasil e no mundo, era também ano de eleição presidencial. Iniciava-se então mais um espetáculo mundial.

A sociedade via um evento grandioso acontecendo, palcos foram armados, como o Itaquerão, que com uma abertura pífia, deu-se ali o ponta-pé inicial para todo o mundo ver, da 20ª edição da Copa.

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Circos em forma de estádios espalhados por todo o território nacional recebiam então suas multidões de pessoas, com suas línguas e tons de peles variadas, mas formando assim mesmo uma nação futebolística por assim dizer, todos em busca de emoção.

Com o Brasil pegando fogo, Joaquim Barbosa fazendo história de um lado e José Sarney se aposentando de outro. Em março já se iniciara a "Operação Lava Jato" e parecia que o Brasil estava em rota de colisão consigo mesmo.

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Em meio a um lamaçal político, se desenrolava a Copa do Mundo, com escândalos sobre venda de ingressos e por aí afora.

08 de julho de 2014, Mineirão lotado, Brasil e brasileiros ligados na tela, vidrados e, porque não dizer, hipnotizados. Pronto, o circo começava a se desmanchar ali. Ao final da partida, o Brasil e o mundo, note bem, o mundo, perplexos com a goleada histórica sofrida pela nossa seleção.

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Parecia que um presságio divino, um alerta profético ou um sinal da natureza tinha o dedo naquela que foi considerada a maior vergonha nacional, maior que o massacre do Carandiru, apesar de a sociedade talvez não refletir sobre isso. Os palcos foram esvaziados, a Alemanha levou o "caneco", embora, depois de chegar à final e a marca histórica ficar registrada, o povo tenha retomado os sentidos e os assuntos internos da nação continuaram a se desenrolar.

O semblante e a perplexidade tomava conta de todos os brasileiros, até daqueles que detestam futebol, mas a questão final ia além disso, pois mexia diretamente na moral e honra do povo brasileiro. A vergonha foi enorme, mas para o que acontece dentro da nação em termos de política e sociabilidade, a população parece não ter a mesma vergonha. Aliás, se tivesse, talvez o Brasil não fosse tão desigual e desumano.

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Com a morte violenta de Eduardo Campos em agosto do mesmo ano, fato trágico que chocou o país, talvez mudando o curso da história, seguimos o destino. Com a vitória apertada de Dilma sobre Aécio no segundo turno, talvez o país não tivesse muita opção mesmo nesse sentido, pois tanto um como outro iriam sucumbir aos efeitos da "Lava Jato". Continuamos ladeira abaixo. Em novembro de 2015, todo o lamaçal da política que destrói a economia brasileira e deixa os brasileiros na insegurança, veio em forma de lama mesmo, com o desastre em Mariana, MG, com a morte de 19 pessoas e o maior desastre ambiental do país.

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Até hoje os reflexos do desastre continuam rio abaixo e agora com a propagação da febre amarela naquela região.

Em 2016, chegou-se ao impedimento da então presidente da república, Dilma Rousseff após as Olimpíadas, que em meio à turbulência da "Lava Jato" aconteceu sem maiores problemas e dava uma ponta de esperança à nação, mas sempre em um clima de desconfiança e incertezas e também com a desgraça da microcefalia, outro fato atribuído à vetores, os transmissores de doenças, consideradas como pragas.

2017 inicia-se com matanças em presídios, um sentimento de insegurança se infiltra na sociedade. Pela mínima retrospectiva, podemos perceber que o Brasil passa por grandes dificuldades e a expectativa, segundo especialistas, é de que o pior passará somente após 2021, ou seja, mais quatro anos de muita insegurança e ajustes em todos os níveis da sociedade, para poder a nação, após este período, começar a se reequilibrar. Enquanto isso, vamos continuando a pagar os juros mais altos do planeta e ver os debates que seguem em torno de tantas crises que ocorrem simultaneamente no país e no mundo.

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