A origem do conhecimento são as perguntas e uma pergunta, a grosso modo, é uma Conjectura. Conjecturas são perguntas que aparentemente não possuem respostas. Sim, “aparentemente”. Isto porque a maioria dos questionamentos, tanto matemáticos como filosóficos, já foram resolvidos, exceto aqueles realmente muito difíceis.

A filosofia do olhar e, consequentemente, a pesquisa científica, é como explorar uma floresta. À medida que a área conhecida vai se expandindo, a fronteira que beira o desconhecido se amplia. Isso não significa dizer que quanto mais descobrimos, menos sabemos. Ao contrário, quanto mais se descobre, mais se percebe que não se sabe.

O interessante de tudo isso é que o que não se sabe muda com o passar do tempo. Ou seja, alguns problemas antigos desapareceram, enquanto novos são acrescidos. Por exemplo, a questão “Quem veio primeiro, ovo ou a galinha?” já foi respondida. Depende da fome, ou seja, se o sujeito estiver com fome vem primeiro o ovo. Se ele não estiver com fome, vem primeiro a galinha. Desse modo, problemas complexos requerem respostas simples.

Por outro lado, alguns questionamentos podem acabar revelando grandes problemas e, outros nem tanto. Tudo isso dependerá, sobretudo, dos métodos inventados para resolvê-los, buscando a essência da questão e não apenas a resposta em si. Portanto, as conjecturas abaixo foram denominadas de contemporâneas, mas que poderiam ser antigas ou modernas, que esperam por respostas, ou por novas perguntas.

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É assim que avança a ciência, o conhecimento, a Filosofia do Olhar.

Conjectura 1: Na medida que se desenvolvem tecnologias educacionais, tem ficado cada vez mais visível que a educação tradicional é incapaz de lidar com a complexidade dos problemas que a humanidade se depara, principalmente a da convivência mútua, respeitosa e saudável. Por outro lado, com as novas ferramentas tem aumentado o número de fraudes, corrupção, suborno e chantagens. Muito desses problemas envolvem conflitos sociais, políticos, econômicos, religiosos, morais, éticos, sexuais e raciais. Suponha que um funcionário de uma grande empresa chegue ao topo da careira profissional fraudando, subornando. E outro chegue ao mesmo posto sem se utilizar de meios antiéticos. Que modelo educacional prevalece em ambos os casos? Qual terá mais visibilidade? Qual será um case de sucesso?

Conjectura 2: Trabalhe 8 horas diárias. Se for do sexo masculino, e a perspectiva de vida de 72 anos, divida por dois. Se for do sexo feminino, e a perspectiva de vida de 74 anos, multiplique por 3 e some 1.

Repita isso até chegar o tempo da aposentadoria. O que acontecerá com essa pessoa?

Conjectura 3: Pensava-se que com os avanços técnico-científicos aumentariam as chances do homem ser feliz. Ao contrário, casos de suicídio, depressão e todo o tipo de doenças psicossomáticas só têm aumentado pelo mundo. Como o ser humano pode ser feliz na riqueza ou na pobreza? Como ser feliz numa sociedade onde a busca da riqueza e do poder para se sentir importante e se impor sobre os outros, fala mais alto?

Conjectura 4: A sociedade contemporânea vincula felicidade à riqueza, poder, prestígio. Como esses valores estão, cada vez mais, concentrados nas mãos de uns poucos, cabe fazer a revolução da distribuição de renda para todos?

Enfim, vale lembrar que o importante na filosofia do olhar são as perguntas e não as respostas, pois “o homem sábio pergunta, enquanto o ignorante responde”. Seja sábio, pergunte sempre, evite respostas prontas.