Nos últimos dias, a internet foi bombardeada por comentários sobre o quanto dona Marisa Letícia, que faleceu recentemente e foi esposa do ex-presidente Lula, mereceu a morte que teve. Houve até quem disse que foi uma espécie de “justiça divina”.

Entre tudo que li, fiquei com uma grande curiosidade: como será que as pessoas que disseram que foi “castigo de Deus” fizeram para ler os pensamentos do Todo Poderoso, para dizer se foi realmente o que aconteceu?

E também fiquei com a seguinte questão na mente: como quem se diz “cristão” tem a capacidade de não ficar tocado com a morte de alguém?

O que se trata, nesse caso, não é de posicionamento político, não é se você acredita que Lula tenha roubado milhões da população ou não; e também não se trata se você ia com a cara da Marisa ou não.

O que precisa ser pensado aqui é a empatia, a humanidade, a sensibilidade...

Tem-se falado muito de empatia, mas, a palavra tem sido tão pouco valorizada nas redes sociais, onde todo mundo fala o que quer e não se importa com o sentimento alheio.

Empatia é tentar colocar-se no lugar do próximo, respeitar o seu sentimento e tentar proporcionar algo que o acalente.

“Mas, Jéssica, o Lula foi péssimo para o país; ele roubou; tenho certeza que roubou”. Primeiro, para acusar alguém de um crime, você precisa ter provas suficientes e contundentes, mas, isso não vem ao caso agora. O que vem ao caso é que não importa o que o Lula fez ou deixou de fazer - e isso vale o mesmo para a dona Marisa Leticia.

Quando temos empatia, nós não saímos julgando as atitudes das pessoas; nós simplesmente nos colocamos no lugar da pessoa.

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“Só que, Jéssica, não consigo desejar coisas boas para quem eu acho que cometeu tantos crimes”. Então, simplesmente não deseje, cale-se e respeite a família e o sofrimento de todos.

Se você não é capaz de respeitar a tristeza de uma família, na hora da morte, deveria ser hora de repensar a si próprio. Porque, se você perdeu a humanidade, não há prisão que o Lula possa ter que vá mudar isso.

Aqui não se trata se o ex-presidente é culpado ou não. Trata-se de você, do amor ao próximo que você tem.

E, se você se colocar como “cristão”, pior ainda. Porque o cristianismo ensina que não devemos julgar, seja quem for - inclusive os criminosos e culpados - e que devemos, na verdade, dar amor e compreensão a todos, sem distinção.

Está na hora de sermos humanos e não apenas colocarmos nosso posicionamento político acima de tudo.