Em Ferraz de Vasconcelos, SP, a professora de uma escola pública pediu que os alunos fizessem uma redação sobre como seria a vida do menino mais feliz do mundo. As crianças deveriam usar a imaginação e o menino poderia ser um super-herói, saber voar, ter os poderes da invisibilidade, força e qualquer coisa que a liberdade da criatividade infantil trouxesse para as redações. João Vitor escreveu sobre ele mesmo como a criança mais feliz do mundo.

João Vitor, de 11 anos, foi adotado por um casal homossexual depois de viver por um ano e meio em um orfanato.

Concluída a redação, João mostrou aos seus pais para ver se havia ficado boa e ambos dizem que caíram no choro assim que João leu em voz alta.

Emocionado, um dos pais postou a redação no Facebook que já recebeu mais de 10 mil compartilhamentos.

A redação

(clique na imagem para ver a redação completa)

A história de João

João havia sido rejeitado por sua Família biológica e, portanto, morava em um orfanato à espera de Adoção.

O casal, Fernando Luiz e Marcelo, estava na fila para adoção e, num primeiro momento aguardava uma criança de até 8 anos. João, com 10 anos na época estava fora do perfil procurado.

De qualquer forma, por pedido da assistente social foram conhecer e constataram que ele era muito triste e quieto.

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Marcelo conta que ambos se emocionaram com a história dele e decidiram que o que ele mais precisava era carinho, uma vez que de sua família biológica, o pai morreu, a mãe é usuária de drogas e nenhum dos seus irmãos adultos queria cuidar dele ou assumi-lo. Por conta disso tudo, João chegou a morar na rua e foi recolhido pelo conselho tutelar e encaminhado ao orfanato.

A adoção

Depois que optaram por adotá-lo o processo foi feito aos poucos.

O casal passou a visitá-lo com frequência no orfanato até que ele começou a passar os finais de semana na casa de Fernando e Marcelo.

Para o G1, Marcelo revelou que assim que chegou, João era muito quieto, mas chorava toda vez que tinham que devolvê-lo para o orfanato. Ele brinca que hoje em dia têm que pedir pra ele parar de falar:

“Foi uma transformação muito grande, ele mudou totalmente.”, diz Marcelo.

Quando finalmente a adoção foi oficializada, João mudou-se para a casa dos novos pais e foi matriculado em nova escola, o casal fez questão de contar toda a história dele para a coordenadora pedagógica. Preocupados com o fato de não serem modelos de família tradicional, ambos foram conversar com o filho sobre o fato de ele ter dois pais e nenhuma mãe.

João respondeu que a psicóloga já havia explicado a ele que uma família pode ter um pai e uma mãe, dois pais ou duas mães, fato que o garoto aceitou sem o menor problema.

O menino enfrentou preconceito no orfanato durante o processo de adoção, porque as outras crianças ficavam perguntando quem era a mãe, mas o menino não se importava e afirmava que o que importava é que ele tinha dois pais que iam cuidar dele.

Os pais de João ainda fazem um apelo aos que vão adotar, para procurarem uma criança acima dos 4 anos de idade, porque bebês são muito procurados e crianças depois dessa idade vão sendo deixadas de lado.

Já faz um ano que João é filho de Marcelo e Fernando e, segundo Marcelo, o filho diz o tempo todo o quanto os ama.

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