O presidente Michel Temer declarou à Revista The Economist, no último dia 9 de março, que “prefere ser impopular a populista”. Não há como saber se a declaração foi ou não sincera, mas a questão permanece: por que Michel Temer é tão impopular?

Existem algumas razões para tamanha impopularidade. Além de, como centenas de políticos brasileiros, ele também estar sendo investigado por corrupção, a primeira delas é que ele não foi eleito. Sim, ele era candidato a vice-presidente na Chapa Dilma-Temer, porém, por tradição, o brasileiro não costuma dar muita importância ao vice.

É claro que deveria, pois foram oito os vice-presidentes que assumiram a presidência, desde a Proclamação da República, em 1889. Mas, na prática, não é isso que acontece. O eleitor médio costuma decidir o seu voto pensando apenas no candidato a presidente, apesar de o candidato a vice-presidente ter alguma influência em setores específicos da sociedade, como no meio empresarial, por exemplo.

José Alencar, já falecido, é um exemplo disso. Ele foi um importante empresário brasileiro do setor têxtil, dono de um dos maiores grupos econômicos do Brasil.

Foi candidato a vice-presidente por duas vezes, na chapa do ex-presidente Lula. O objetivo de Lula ao escolhê-lo era justamente diminuir a desconfiança que parte do empresariado brasileiro tinha com relação a Lula e ao PT.

Por isso, apesar de tecnicamente incorreta a afirmação de que o presidente Temer não foi eleito, pode-se dizer, como alguns gostam de afirmar, que ele não foi ungido pelo voto popular - inclusive é taxado de “golpista” pelos partidários da ex-presidente Dilma Roussef. É claro que isso, por si só, não explica a baixa popularidade do presidente que, segundo a última pesquisa do Instituto Datafolha, se ele fosse candidato em 2018, teria míseros 2% dos votos. Então, é preciso buscar outras razões para a sua impopularidade.

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Michel Temer

Outras razões

A segunda razão para a sua reprovação popular recai sobre as reformas da previdência e trabalhista, as quais o presidente patrocina.

Quanto à Reforma da Previdência, ela é altamente impopular (pesquisa Datafolha divulgada no último domingo, dia 30/4, indica que 71% dos brasileiros são contra a reforma). Mas ela é considerada imprescindível pelo governo, sob o argumento de que é necessária, senão a Previdência vai quebrar. Agora, se é ou não necessária, se a Previdência vai ou não quebrar, é tema complexo e seria um assunto para outro artigo, mas o fato é que o presidente apoia uma reforma altamente impopular.

Com relação à reforma trabalhista, ela também é muito impopular, pois os trabalhadores veem como uma reforma para beneficiar os patrões e retirar direitos do trabalhador, mesmo que isso não seja totalmente verdadeiro. Mas, é o que é vendido pelas entidades sindicais.

Uma terceira razão para a baixa popularidade de Temer é a grave crise econômica pela qual o país está passando, com índices recordes de desemprego, chegando, segundo o IBGE, a 14 milhões de desempregados. Mas, o número pode ser bem maior, pois o IBGE só contabiliza como desempregado quem efetivamente procurou emprego nas semanas anteriores à pesquisa.

Todavia, é bom ressaltar que a crise econômica não começou neste governo, mas o trabalhador só se recorda que, antes, possuía emprego e renda e hoje está desempregado; então a culpa é do governo e ponto final.

Por fim, uma outra razão para a reprovação ao governo Temer é que o atual presidente se notabilizou por recuos e falhas de comunicação. Desde que assumiu interinamente a presidência da República, Michel Temer “mudou de ideia” e precisou se retratar sobre diversas medidas da administração pública.

Um exemplo é justamente a reforma da Previdência, em que, primeiro, seria para todos, sem exceção. Mas, depois, Temer voltou atrás quanto aos servidores públicos, retirando os servidores estaduais da reforma. Também voltou atrás quanto à idade mínima da aposentadoria das mulheres, que seria inferior à dos homens, ao contrário do que foi divulgado anteriormente.

Ademais, já admite outras concessões, com regras diferenciadas para professores e policiais (os militares também ficaram de fora da reforma).

Assim, fica realmente difícil defender a reforma previdenciária por quem será afetado por ela As pessoas naturalmente pensam: "por que justamente eu terei que pagar o pato enquanto existem tantas exceções?"

Com essa administração desastrosa (ao menos do ponto de vista da comunicação), tudo indica que, após deixar a presidência da República, será o fim da carreira política de Michel Temer, apesar de que não dá para apostar, pois, em política, tudo é possível.

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