Ler não pode e nem deve ser uma obrigação. No entanto, existem alguns Livros que, dependendo da sua área de formação, tornam-se leitura obrigatória. Por exemplo, é inadmissível que um estudante de Pedagogia não leia Emílio ou da Educação, de Jean-Jacques Rousseau; que um acadêmico de Direito não leia O Espírito das Leis, de Montesquieu (1689-1755); que um aluno de Psicologia não leia Em Busca de Sentido, de Viktor Emil Frankl (1905-1997); ou que um estudante de Filosofia não leia O Ser e o Nada, de Jean-Paul Charles Aymard Sartre (1905-1980).

Por que esses livros devem ser leitura obrigatória na formação de pedagogos, advogados, psicólogos e filósofos contemporâneos? Em primeiro lugar, porque esses livros são considerados interpretes autênticos do seu tempo e apresentam conceitos que são instrumentos indispensáveis para compreendê-lo.

Em segundo lugar, porque são livros muito atuais, apesar de terem sido escritos muitos anos atrás, de modo que cada época, ou mesmo cada geração, sinta a necessidade de relê-los e, relendo-os, de reinterpretá-los.

Em terceiro lugar, porque são livros que se tornaram teorias-modelo das quais nos servimos continuamente para compreender a realidade.

Desse modo, ao escrever Emílio ou da Educação, Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), considerado pai da pedagogia moderna, apresentou uma nova proposta de educação, enfatizando a necessidade de educar a criança para que se torne autônoma, ou seja, torne-se sujeito e dono de seu próprio destino.

Não perca as últimas notícias!
Clique no tema que mais te interessa. Vamos te manter atualizado com todas as últimas novidades que você não deve perder.
Literatura

Ele queria que os educadores ensinassem as crianças a pensar por conta própria e a partir de suas próprias experiências. No entanto alertava: “O homem nasce livre e em toda parte se encontra acorrentado”.

Em Emílio ou da Educação, Rousseau defende que a criança deve ser totalmente livre para aprender, isto é, que a função do educador é ensinar a criança a viver, agir e exercer a liberdade. Na concepção de Rousseau, a educação só fazia sentido se fosse prática, que servisse para resolver os problemas da vida.

Por isso, “o homem que mais viveu não é o que contou maior número de anos, mas aquele que mais sentiu a vida”.

A contribuição de Rousseau vai muito além da Pedagogia. Ele inventou o conceito moderno de infância, o que representou um rompimento paradigmático no que diz respeito à maneira como se pensava a educação. Tal rompimento permitiu a modernidade repensar o tratamento oferecido às práticas educativas e fundamentações teóricas que conferiam base aos processos pedagógicos.

Em outras palavras: Rousseau foi um defensor dos direitos das crianças e um homem preocupado com o bem-estar individual e social da humanidade.

Assim, as ideias pedagógicas de Rousseau a favor da educação natural deram-lhe destaque no meio político e filosófico. Em consonância com os seus ideais educacionais estão as suas ideias em favor da liberdade, sendo um dos poucos filósofos de seu tempo a defender ativamente os direitos das crianças, enfim, da pedagogia libertadora.

Não perca a nossa página no Facebook!
Leia tudo