A Mulher Maravilha fez sua primeira aparição nos quadrinhos em 1941. A personagem criada pelo psicólogo William Marston sob o pseudônimo de Charles Moulton, foi criada com a intenção de ser uma “propaganda psicológica para o novo tipo de mulher que deverá governar o mundo”, segundo o próprio Marston. Desde então Diana passou a ser símbolo aspiracional para as mulheres de todo o mundo.

Mas como filme, a nova produção da DC poderia ter se atentado a alguns pontos que deixam o seu roteiro bem mediano:

A protagonista é ingênua demais

Apesar da personagem ter seu objetivo muito claro, os desafios que lhe esperam fora da ilha de Temiscira são uma incógnita para Diana.

Ao longo do filme, a personagem vai descobrindo seus poderes. Porém, sua ingenuidade é tão acentuada, que as nuances necessárias para dar o tom de aprendizado das lições de humanização que ela deve aprender se perdem no meio da trama corrida. Para manter o ritmo, as emoções da heroína ficam de lado, e a falta de conhecimento da personagem sobre as questões humanas, e sobre sua própria história fazem parecer que ela está fazendo “papel de trouxa” até quase dois terços do filme.

O antagonismo é mal explorado

A dupla da Doutora Veneno com General Ludendorf proporciona momentos interessantes. Mas nenhum dos dois tem a personalidade explorada de maneira mais profunda durante a trama. O vilão principal do filme, Ares, até consegue surpreender nas reviravoltas finais com as revelações que faz à Diana, mas em geral é mostrado muito pouco sobre suas motivações, e a Doutora Veneno acaba não tendo papel nenhum na resolução do conflito final.

Patriotismo sem sentido

A trama, que logo leva a Mulher Maravilha para encarar os desafios do mundo dos humanos, logo entra na Primeira Guerra mundial, onde Diana rapidamente compra um lado na briga, e sai matando os alemães a torto e a direita, o que colabora mais para enfraquecer o aprendizado sobre as questões humanas que a protagonista deveria ter.

Batalha épica sem sentido

Após explorar diversos takes de luta em que a Gal Godot aparece como em um comercial de shampoo com seu babyliss perfeito e axilas depiladas, o filme nos leva ao conflito final (sem spoilers). Mas quando Diana finalmente tem seu enfrentamento com Ares ela ainda está desprovida das informações necessária para enfrentá-lo. E por incrível que pareça é o próprio Ares quem lhe dá tais informações de forma bem didática.

Montagem com costuras mal feitas

Em diversos momentos do filme, o público se depara com cortes que parecem não fazer o menor sentido, pulos na trama em momentos de tensão, em que ficam nítidos os ajustes que foram feitos após o filme pronto, por questões comerciais de produção.

Mesmo com todos esses pontos da história meio mal costurados, o filme tem grande mérito na atualidade, inerentes ao próprio título “Mulher Maravilha”. Contudo, está longe de ser um filme memorável que valha a ida ao Cinema. Poderia ser uma história muito mais engajadora, mas acaba com grandes chances cair no esquecimento muito em breve.