A Netflix decepcionou o público que esperava pela adaptação ocidental de Death Note [VIDEO]. Demorou apenas algumas horas de disponibilização na plataforma para que um vastidão de críticas de fãs e do público em geral fizesse a emoção da espera virar uma frustração.

Com um roteiro recheado dos piores clichês colegiais e buracos no enredo, o filme não consegue convencer. O tempo todo o filme tenta lhe puxar para a história, mas são tantos fatos corridos e deixados no ar que não demora mais de 15 minutos para você perder o interesse.

Depois de ver o filme a sensação que fica é de que o tempo foi perdido. Nada no filme compensa o tempo gasto sentado em frente à televisão.

A revolta dos fãs já era esperada pela Netflix, pois a plataforma fez questão de sempre ressaltar que o filme era uma adaptação dos mangás e não um cópia fiel, mas as críticas ao filme por um público que não era fã ou conhecia a história de Death Note surpreenderam.

Na página da empresa no Facebook, há mais críticas e negativas do que elogios à produção. Vamos entender melhor o porquê de o filme ter pecado tanto, mesmo sendo tão ambicioso.

A série de mangás Death Note surgiu em 2000 e conquistou muitos fãs com seu enredo repleto de reviravoltas investigativas e tons sobrenaturais. No Japão, forma feitos vários live actions da história original e conquistaram um novo público, fora dos fãs do mangá.

A meta da Netflix ao fazer um filme de Death Note era buscar uma maior audiência do público ocidental, que é fã da obra.

Devido à baixa qualidade visual das produções de live action japonesas, mas grande qualidade do roteiro, era esperado que a produção ocidental fosse impecável. Entretanto, o resultado foi terrível.

Light Yagami, personagem principal da trama, perdeu toda sua essência como um brilhante e popular estudante para se tornar o típico nerd americano sem grandes qualidades. Um Peter Park, mas sem os poderes do Homem-Aranha. A inteligência de Light sempre foi o ponto-chave da história, mas no filme ela só aparece no final da trama, mas como uma solução rápida, inventada por acaso, do que algo orgânico e trabalhado pelo enredo.

Todo o peso filosófico dos autores Tsugumi Ohba e Takeshi Obata é apagado do enredo. As questões sobre o que seria justiça e que é certo ficam pairando no ar. No mangá, o tempo todo são reforçados os pontos de vista de Light Yagami e seu antagonista, o investigador L. Um acredita ser a justiça e se julga um deus, o outro acredita que são as pessoas que devem decidir o que é certo.

O filme se afasta tanto dos pontos-chaves da sua origem oriental que se torna uma simples cópia. Não existe justificativas para os acontecimentos e não há qualquer preocupação em guiar os público para os personagens. A morte dos personagens é passada de forma tão fraca que é impossível sentir qualquer coisa por eles.

Outro problema na produção da Netflix são as atuações. Os atores não conseguem se expressar e demostrar o que dizem. O personagem principal está sempre como uma cara "neutra" não importa a cena. Todos os personagens não demostram emoção verdadeira em nenhuma cena de tensão.

Nat Wolff, que faz o personagem principal, tenta nos convencer que se sente culpado por usar o caderno para matar pessoas, mas, logo em seguida, tenta forçar uma postura de poder. Willem Dafoe, que é deus da morte, Ryuk, é único que consegue passar alguma verdade nas cenas, embora a baixa qualidade do efeito especial tenha reduzido muito seu poder de atuação.

Keith Stanfield, que faz o investigador L, se torna esquecível nas cenas. Em vários momentos ele não faz falta nenhuma para história. O ar gótico do roteiro original, que trazia um forte peso para história, deu lugar a um mundo pré-adolescente, que poderia ser muito bem-vindo na novela Malhação ou em um filme infantil da Sessão da Tarde.

A ideia de luz e sombra é usada de uma forma quase boba. Sempre que Ryuk aparece, as luzes se apagam tentando criar uma atmosfera de medo.

A Netflix arriscou nessa produção, mas não foi feliz. Faltou imaginação para a criação do roteiro e também saber extrair a ideia original da obra em um país diferente. Ter levado a história do Oriente para Ocidente não é desculpa para se destruir sua origem e recriar de uma forma quase infantil da trama.

O filme comete muitos erros ao adaptar a história em uma versão americanizada, que decepciona fãs e público em geral, pois é uma sopa de clichês jogados, sem qualquer compromisso em explicar os acontecimentos.