Enquanto milhões de brasileiros passam por sérias dificuldades financeiras, os níveis de endividamento alcançam cada vez mais famílias e o desemprego segue de vento em popa, o setor bancário nacional acaba de ser agraciado com notícias de lucros bilionários. Segundo a Economatica, instituição especializada em prover informações financeiras, somados os lucros dos três principais bancos brasileiros temos a cifra de R$ 12 bilhões no período chamado pelo mercado de segundo trimestre de 2017.

Diante de tamanha bonança e sucesso financeiro, fica difícil entender porque a sociedade brasileira se mantém apática diante de um cenário que segue desfavorável para os "mortais" cidadãos que há poucos dias foram agraciados com o anúncio não tão feliz de que o salário mínimo atual deve cair de míseros R$ 979 para R$ 969 em 2018.

Mas você pode se perguntar "oras, o que são R$ 10 a menos ou a mais?" e "o que o lucro dos bancos tem a ver com a crise?". Talvez nada, talvez tudo.

Mas não estamos aqui para entrar no mérito da questão e sim para expor algumas curiosidades comparativas. Voltemos ao lucro bilionário em tempos de crise. Este é oriundo e somatório de três relevantes bancos brasileiros: Itaú, Bradesco e Banco do Brasil. Um deles divulga em suas demonstrações financeiras um lucro líquido de R$ 6,3 bilhões no período de 1º de abril a 30 de junho de 2017.

Se anualizarmos tais cifras e estimarmos que, se o banco lucra R$ 6 bilhões em um trimestre, então poderíamos calcular algo próximo dos R$ 24 bilhões em lucro líquido ao longo de um ano (obviamente esta conta é superficial, mas vale para o exercício mental e de imaginação).

Segundo o mesmo relatório anual, em 2016 inteiro este mesmo banco investiu R$ 2,83 bilhões em #Sustentabilidade, que são investimentos em projetos de energias limpas ou renováveis, em comunidades ou grupos sociais em vulnerabilidade social, meio ambiente, entre outras aplicações "do bem" ou "para o bem", ou ainda "responsáveis". Fazendo o comparativo de um ano de investimentos em "social" e "sustentabilidade" e um ano de lucro líquido temos apenas pouco mais de 10% de "ajuda" humanitária ou ambiental por assim dizer.

Curiosamente tal cifra acaba sendo comparável à "gorjeta", ou aqueles "10% para o garçom", que você paga se quiser. Obviamente vale lembrar antes de encerrarmos o raciocínio: ainda bem que existem os 10% de "ajuda" do setor bancário para o "social", mas será que não poderia ser mais? Será que tanto lucro em tempos tão difíceis não representam alguma distorção?

Para os especialistas pode ser apenas demonstração de boa administração, mas para quem está a meses procurando emprego, ou está vendo seu salário cada dia menor, fica difícil entender toda esta curiosa matemática financeira deste "ser mágico" e impessoal que é o "mercado". Bilhões para uns, migalhas para outros. Simples assim. #financas #Desemprego