Vive-se uma época de transição para um novo modelo econômico, político, social e cultural, e nesse cenário a Educação profissional é um norte. Ou seja, a educação profissional busca integrar escola e Trabalho levando-se em conta técnicas de produção e critérios de produtividade. Nesse sentido, ela requer, além do domínio operacional de um determinado fazer, a compreensão global do processo produtivo, a compreensão do saber tecnológico, a valorização da cultura do trabalho e a mobilização dos valores necessários à tomada de decisões.

A legislação em vigor no Brasil classifica a educação profissional em três níveis: a) Básico: modalidade de educação não formal e de duração variável; b) Técnico: destinado a jovens e adultos que estejam cursando ou tenham concluído o ensino médio; c) Tecnológico: destinado à formação superior.

A educação profissional, a partir da LDB – 93.94/96 passou a ser considerado complementar a educação básica, podendo ser desenvolvida em escolas, em instituições especializadas ou no próprio ambiente de trabalho.

O objetivo da educação profissional é transformar o ensino de conteúdos em competências para o trabalho. A habilidade refere-se ao saber fazer relacionado com a prática do trabalho. Competência é o conjunto de capacidades e conhecimentos organizados para realizar uma tarefa ou um conjunto de tarefas, satisfazendo exigências sociais precisas. Dessa feita, desde os 12 trabalhos de Hércules, existem várias concepções de educação profissional, dentre as quais destacam-se:

  1. Concepção histórico-crítica. Como o seu próprio nome diz, é uma teoria crítica, que não aceita nada “pronto”. Ela compreende a história como um devir e que o ser humano recebe influência de vários fatores. Ou seja, o bom profissional é aquele que é aberto às variações do mercado e se prepara para enfrentá-lo. Essa concepção bebe na fonte das ciências humanas e sociais e destaca o ser humano como sujeito e nunca como objeto. Define a escola enquanto uma agência socializadora do saber sistematizado, produzido e acumulado historicamente pela humanidade, entendido como uma ferramenta cultural a ser utilizada pelos sujeitos em função dos seus interesses de classe no processo de transformação social.
  2. Concepção humanística. Esta concepção destaca a educação “centrada” na pessoa e dá ênfase às relações interpessoais e ao crescimento que desta resulta, centrado no desenvolvimento da personalidade do indivíduo, dos seus processos e organização pessoal da realidade em sua capacidade de atuar como uma pessoa integrada. O homem é considerado como uma pessoa situada no mundo. É único, quer em sua vida interior quer em suas percepções e avaliações do mundo. O objetivo último do ser humano é a auto-realização ou uso pleno de suas potencialidades e capacidades. Enfim, a experiência pessoal subjetiva é o fundamento sobre o qual o conhecimento é construído, no decorrer do processo de vir-a-ser da pessoa humana.
  3. Concepção técnica e tecnológica. A técnica é uma arte, uma ciência e envolve procedimentos humanos. Ela compreende um conjunto de processos, normas ou regras aptas a conduzir uma atividade com eficácia. Tecnologia envolve a utilização científica de ferramentas, máquinas e demais instrumentos que auxiliam no conhecimento humano. Por outro lado, o avanço do conhecimento, a incorporação progressiva de novos métodos e técnicas de trabalho e produção, além de um novo desenho do mercado de trabalho, trazem repercussões diretas sobre a formação e a capacitação de recursos humanos que atuam nos diversos setores da economia. Dessa forma, a educação tecnológica é aquela que prepara um cidadão competente e crítico para todo o ambiente em que vive e não só para o trabalho em si. É uma educação que prepara para a vida, para tomar decisões, integrar conhecimentos. Prepara para agir e não só para reagir, planejar e não apenas executar.
  4. Concepção ética e bioética. Grande número de filósofos que se ocupam da Ética defende que a consciência moral nos inclina para o caminho da virtude. A palavra virtude deriva do latim virtus, que significa a qualidade própria da natureza humana. De modo geral, a virtude designa a prática constante do bem, correspondendo ao uso da liberdade com responsabilidade. O oposto da virtude é o vício, que consiste no hábito de praticar o mal, correspondendo ao uso da liberdade sem responsabilidade. Segundo Weber (1864-1920) existe duas teorias éticas que determinam duas maneiras diferentes de tomar decisões: a Ética da convicção que diz: “cumpra suas obrigações” e a Ética da Responsabilidade que diz: “somos responsáveis por aquilo que fazemos”.

Enfim, a história atual e as perspectivas futuras apontam para mudanças radicais no mundo e na sociedade, principalmente na principal atividade do ser humano: o trabalho.

Por isso, o mercado de trabalho mudou e ele se impõe ao exigir um novo perfil de profissional: aquele que está em constante mutação. Mude você também. Inove!