Os termos cultura e sociedade não se deixam classificar, muito menos se definir. Não há uma fórmula, uma receita ou sequer um esquema de aplicação rápida desses termos. Eles podem servir para inúmeras interpretações e infinitas possibilidades. O que se sabe é que reúnem uma verdadeira complexidade e multiplicidade de estudos e carregam outros tantos problemas, principalmente de funcionalidade.

Funcionalismo é uma teoria adaptada para diferentes campos de conhecimento, como a filosofia, a psicologia e a antropologia. Seu principal objetivo é explicar a sociedade, as ações coletivas e individuais, a partir de causalidades, ou seja, de funções.

Desta forma a sociedade, ou o que se observa a partir desta teoria, é compreendida como um organismo, composto por órgãos relacionados e com funções específicas.

O funcionalismo se funda na crítica ao individualismo metodológico, pondo em dúvida sua proposta de extrema liberdade do indivíduo e duvidando também do alcance das pesquisas baseadas na opinião de cada elemento social.

Tendo em David Émile Durkheim (1858-1917) seu mais precioso representante, o funcionalismo alcança imensa repercussão, lançando as bases da sociologia contemporânea. Para Durkheim, tomar a sociedade como um conjunto de indivíduos era o mesmo que tomar o todo pela parte, ou entender o corpo humano como um conjunto de células. Para ele, na verdade, a sociedade é mais importante que seus componentes.

Com efeito, os indivíduos não agem de acordo com sua mais profunda vontade, mas estão submetidos aos valores e crenças compartilhados por todo o grupo social.

Isto é, a sociedade tem seus próprios mecanismos de reprodução da cultura, impondo aos indivíduos seu modo de ver o mundo. Assim, Durkheim pensa o todo como mais importante que as partes, mas. para ele. estas partes estão coesas, não pelo consenso como queria Hobbes, mas por um caminho extremamente sofisticado.

Tomando por analogia o corpo humano, o funcionalismo pensa a sociedade como dotada de inúmeras instituições e indivíduos com funções e papéis específicos. Assim, da mesma forma que cada órgão é especializado em alguma função do organismo, cada instituição serve a algum papel na sociedade.

Por exemplo, a escola serve, em primeiro lugar, para reproduzir indivíduos nos parâmetros socialmente aceitos. Todavia, para Durkheim, nem sempre a sociedade está tão bem ordenada como deveria. Nem sempre seus órgãos estão em perfeita harmonia. Assim, do mesmo modo que o organismo fica doente, o funcionalismo cria conceitos fundamentais para explicar o equilíbrio ou o desequilíbrio social: o normal e o patológico.

Quando tudo está bem e a sociedade funciona como deveria, diz-se que está em seu estado normal. Em caso de extrema confusão de seus preceitos morais, trata-se de uma patologia. Como o normal e o patológico são julgados de acordo com os valores de cada indivíduo, para que se possa dizer que o método sociológico é científico, é preciso que tais conceitos sejam dados por métodos quantitativos, isto é, estatísticos e não pessoais.

Assim numa das suas obras mais importantes, o Suicídio, Durkheim demostra que o suicídio varia inversamente ao grau de integração do grupo social ao qual o indivíduo pertence, com raras exceções por ele apontadas.