Como todos os dias, hoje é um dia típico na Terra. Até o presente momento, não tivemos nenhum evento fora do comum, que impactasse de modo diferente do habitual em nossa vida enquanto habitantes deste planeta. Como parte da nossa rotina, ao final do dia de hoje, deixarão de existir 100 espécies de animais e vegetais no planeta – muitas das quais sequer chegamos a catalogar. Isso representa um ritmo de 50 a 100 vezes maior do que em condições adequadas de equilíbrio natural. Além disso, em dias normais, nossa atmosfera também recebe por volta de 2,7 mil toneladas de clorofluorcarbono (CFC) e 15 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO²), os quais são gases relacionados ao aumento da temperatura global e ao buraco na camada de ozônio.

Então, no final do dia de hoje, teremos águas mais ácidas, um planeta mais quente, ar menos saudável e uma menor quantidade de terras para plantio. Contribuem para o aumento desses dados alarmantes cerca de 7,6 bilhões de seres humanos. Neste ano, a ONU informou que a população mundial deverá chegar a 8,6 bilhões em 2030. Um crescimento de 1 milhão de pessoas em 13 anos.

Do total de 7,6 bilhões de habitantes, 1,75 bilhões estão em condição de pobreza absoluta, segundo dados da ONU de 2010. Em relação ao consumo, 20% dos habitantes dos países mais ricos são responsáveis por 86% do consumo mundial. Em contrapartida, os 20% mais pobres consomem 1,3% desse total. Ademais, alguns seres humanos acreditam que os recursos naturais são fontes infinitas, levando ao esgotamento de recursos como a água e o solo e à consequente insustentabilidade desse tipo de relação com a natureza.

Você já parou para se perguntar qual é o papel da sua organização nisso? E o que humanizar tem a ver com tudo isso, afinal?

Bem, no final do dia de hoje, a nossa saúde estará um pouquinho mais agravada. E isso tem tudo a ver com as instituições de #Saúde.

O que é humanização?

Para muitos, humanizar consiste em distribuir, integral e igualitariamente, uma gama de benefícios considerados como propriedades da humanidade. Mas será que isso basta para nos humanizarmos?

“Humanizar é, ainda, garantir à palavra a sua dignidade ética”. Ou seja, o sofrimento, as dores, os prazeres de um outro ser humano precisam ser ouvidos e reconhecidos por outro ser humano para que tomem sentido. Sem comunicação, não há #humanização. Nós nos construímos em meio à linguagem. A humanização depende da nossa capacidade de ouvir e falar, pois nossas construções só se tornam humanas, quando dialogadas com outro humano. O diálogo não se resume a uma forma de comunicação com objetivo de transmitir uma informação. Através do diálogo, temos a oportunidade de nos conhecer, bem como conhecer e compreender o outro.

Dessa forma, podemos atingir metas conjuntas e proporcionar o bem-estar recíproco. Durante a Modernidade, a saúde passou a ser valorizada de modo diferenciado e justificou diversas práticas de controle social em nome da felicidade da maioria, da piedade pelos que sofrem e do condicionamento de comportamentos considerados mais saudável pelo saber médico higienista da época. Tudo isso, sem considerar o que o outro tinha a falar a respeito sobre sua condição.

Em 1948, a Organização Mundial de Saúde (OMS) publicou uma definição saúde, a qual seria um “estado de completo bem-estar físico, mental e social, não meramente a ausência de doença ou enfermidade”. Isso ampliou a questão sobre ausência/presença de doenças enquanto desvio da normalidade, a qual estava restrita ao modelo biomédico. O aspecto polêmico refere-se ao “estado de completo bem-estar”. Vivenciamos um período de muitas renúncias aos impulsos e temos cada vez menos referências simbólicas, perante as quais tais renúncias poderiam ser suportadas. Desse modo, fica a questão: o que seria um “estado de completo bem-estar”?

Além da melhoria das relações interpessoais, a humanização em saúde também se refere ao incentivo para união de todos (gestores, colaboradores e técnicos) para a participação ativas nos processos de cura, reabilitação e prevenção. “Humanizar não é apenas amenizar a convivência hospitalar, se não, uma grande ocasião para organizar-se na luta contra a inumanidade, quais que sejam as formas que a mesma adote”. Problemas como falta de condição técnicas, seja de capacitações, materiais, se torna desumano em decorrência da má qualidade do atendimento e baixa resolubilidade. Isso pode levar à desumanização do relacionamento entre profissionais e usuários, de modo que a frustração, a indignação, entre outros sentimentos, direciona a formas desrespeitosas e agressivas de comunicação. Desse modo, profissionais e usuários devem ser ouvidos, de forma a se criar uma rede de diálogo.

Nessa rede, pode-se estabelecer ações, campanhas e programas voltados para as necessidades da comunidade, assentados em valores como a ética, o respeito e o reconhecimento de todos como atores fundamentais para construção dos processos de saúde. No entanto, não se pode deixar de reconhecer que muitas instituições passam por cortes de verbas, o que dificulta a manutenção dos aparelhos, das instalações e dos profissionais da organização.

O contato com seres humanos coloca o profissional em relação direta com a vida, com a saúde, com a doença, com seus conflitos. Sem autoconhecimento, este profissional corre o risco de desenvolver mecanismos que o freiem e que irão prejudica-lo pessoal e profissionalmente. Os profissionais da saúde entram em contato com muitas situações de tensão, como: pessoas com dor, pacientes terminais, medo de cometer erros vitais, pessoas difíceis de lidar. Cuidar de quem cuida é uma condição fundamental para o processo de humanização na saúde. É preciso ressaltar que a ênfase excessiva ao caráter objetivo da ciência pode eliminar a esfera subjetiva do ser humano.

Quando se preenche a ficha de um paciente, recolhe-se informações referente àquela pessoa. Entretanto, este ato técnico não deve eliminar a subjetividade e o reconhecimento do outro como sujeito de valores, desejos, sentimentos e dores. Essa postura também deve ser adotada pelo usuário do serviço em saúde. Como apontado anteriormente, muitos profissionais enfrentam péssimas condições e trabalho, desde o excesso do mesmo até à falta de materiais necessários para realizar um trabalho com excelência. Dessa forma, o usuário tem o papel de compreender a situação do profissional que se encontra à sua frente, pois este não é um robô de diagnóstico e tratamentos e também é influenciado por fatores que estão além de si. Entretanto, juntos, usuário e profissionais, podem construir um espaço diferenciado para discussão sobre os processos de saúde e recursos que são necessários para sua comunidade.