Estar sozinho. Que dificuldade. Você vai aos lugares e fica procurando, ansiosamente, pela pessoa que vai lhe dar paz. Tudo parece mais calmo quando se tem companhia. Nada de sair para balada no frio, nada de ficar checando os seus apps de encontro, esses malditos cardápios humanos. A certeza de ter alguém do lado para segurar a barra da vida é o que lhe move. E você, feliz, segue de mãos dadas tendo tudo o que precisa ao seu lado.

Mas, estou sozinho. E agora? Será que não tem um jeito de sentir tudo de bom que se tem em uma relação por conta própria? Como se amar dessa forma? Estando solteiro, em algum momento, a gente aprende que não só de pão vive o homem.

Não só de desejo. É preciso mais, bem mais. Se sexo casual preenchesse vazios, poxa, seria mais fácil.

Só que não é assim. E o que preenche? O que, além do amor romântico, pode nos mover, nos inspirar, nos inundar de felicidade genuína? São tantas perguntas para um texto só. E, desculpa, não sei a resposta para nenhuma delas. Apenas, uma desconfiança: tem coisa aí nesse passado que fez você ser assim. O que? Acho que está na hora de descobrir.

Somos a geração da carência afetiva. Sedentos por likes, super likes e corações que sobem na tela do chat. A gente quer a relação das histórias inspiradoras que vemos na nossa timeline, queremos um amor desses de cinema. E não tem nada de errado nisso. Mas, quando foi que nos tornamos essas pessoas que têm horror à solidão? Em algum lugar, lá atrás, algo aconteceu e nos deixou assim.

A ausência de alguém importante, a perda de uma pessoa querida, as críticas de uma tia severa, o choro de uma mãe passiva, o descaso dos colegas de classe. Foi por ali, em algum desses momentos, que você se deu conta que não dava conta sozinho. Foi inconsciente e vai ser difícil lembrar. Mas, eu lhe convido a fazer essa viagem e pensar em como você chegou até aqui.

Como posso mudar essa situação?

Se você está nessa situação talvez seja a hora de colocar o pé no freio, fechar os vidros e, só dessa vez, apreciar o silêncio do seu carro, sem as distrações das paisagens lá fora. Dar um tempo nos aplicativos e não sair de casa com objetivo de conhecer o amor da sua vida. E eu não vou lhe dizer que uma hora tudo vai se acertar.

Mas, vou te falar uma coisa: nada vai acontecer se você não consertar isso primeiro. Encare isso como a primeira coisa que você estará fazendo só, só por você. E, por mais difícil que seja mudar uma tendência de comportamento que parece estar enraizada, garanto que é possível. Estamos juntos nessa.