Aos seus 17 anos de idade, Fernanda Fontenele sofreu um acidente automobilístico muito grave, que a levou a ficar tetraplégica e, desde então, sempre buscou ficar independente. Voltando do aniversário do seu irmão, Fernanda estava no carro com seu ex-namorado e só lembra da hora em que o carro bateu e, em no segundo momento, capotou. Segundo algumas pessoas afirmaram a ela, estava vazando gasolina do carro em seu corpo e o outro veículo envolvido pegou fogo.

Fernanda foi retirada às pressas para não morrer carbonizada e tudo isso aconteceu antes de o resgate chegar.

Na hora em que acordou, já no hospital, Fernanda disse que nunca esqueceu a imagem de seu pai chorando, com um ar de impotência e desespero, enquanto a beijava muito. Todos estavam calados e muito tristes e ela sempre acalmava seu pai, ou tentava, dizendo que sairia logo da cama e iria se divertir na sua festa de formatura.

Fernanda não sabia de nada a respeito de seu real estado de saúde. Ela pensava que fosse apenas uma fratura e que não seria nada grave. Só que foram três meses de tratamento e não houve festa nenhuma. Depois, a jovem conseguiu uma vaga para a reabilitação e foi nesse tratamento que descobriu sua realidade, ou seja, que o acidente a tinha transformado em uma cadeirante. E isso iria perdurar por toda a sua vida.

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Mesmo assim, ela não deixou o foco de lado e continuou fazendo a fisioterapia, mantendo-se firme na sua ideia de voltar a andar e fazer o que sempre fez. Assim, ela começou a fisioterapia e muito outros tratamentos necessários, deixando um pouco os seus estudos de lado e sempre focando no seu objetivo. Mas, ela pensava em fazer faculdade só quando começasse a andar. Com o tempo, Fernanda ficou com mais esperança, assim que os movimentos das mãos foram recuperados.

Passou-se um ano e o médico a chamou para uma conversa séria e disse para Fernanda não parar a vida por causa disso, pois, mesmo com o problema, ela poderia fazer outras coisas. Não era para que ela perdesse as esperanças que o tratamento que ela fazia seria importante. Então, ela percebeu a realidade e que poderia fazer as coisas que sempre gostou. Mesmo cadeirante, não foi difícil para ela, pois, a mãe a levava todos os dias aos locais que precisava e seus colegas a empurravam e até a levavam para as festas.

Nesse tempo, Fernanda descobre um tratamento super importante os EUA, que a ajudaria muito. Assim, decidiu ir atrás desse tratamento e começou a fazer uma campanha.

Nessa campanha, uma amiga ajudou. Elas fizeram um vídeo no YouTube e montaram toda a estrutura para que desse tudo certo. E deu certo. O vídeo viralizou, tiveram vários compartilhamentos, muitas pessoas colaboraram e jornais começaram a fazer muitas ligações para Fernanda.

A campanha teve R$ 60 de retorno e a tetraplégica começou a organizar a viagem. Mas, nesse período, ela conhece uma pessoa muito especial vitualmente.

Nesse processo da campanha, Fernanda conheceu o também tetraplégico Felipe. O rapaz viu o vídeo dela, os dois trocaram vários e-mails e outras comunicações virtuais e se conversaram. Foram meses de conversa e ele foi se tratar na mesma clínica em que Fernanda iria, então, em 2009. Fernanda também foi. Sua mãe, por causa das suas dificuldades, foi junto para a Califórnia e, no aeroporto, ela se surpreendeu com a presença de Felipe e muitos beijos e carinho aconteceram. O namoro começou e Felipe mostrou como ela poderia sentir o seu corpo, que devido ao tratamento, tinha cada vez mais estimulação cerebral. Em apenas um ano, já havia uma dependência.

Hoje, o casal de cadeirantes está casados e cuida de sua casa como qualquer casal cuidaria. É uma casa comum, com seus Cachorros e os desafios, que não são poucos.

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