Vergonha. Esse é o sentimento que os brasileiros devem ter nesse Dia Internacional da Igualdade Feminina, celebrado nesta sexta-feira (26). Segundo dados do Ministério da Saúde, foi registrado um caso de estupro coletivo a cada duas e meia no ano passado, em todo Brasil. Ao todo, foram 3.526 ocorrências.

Outro dado vergonhoso foi levantado pelo jornal "Folha de S.Paulo", que, usando a lei de acesso a informação, teve acesso a dados que comprovam que houve pelo menos um caso de Feminicídio a cada quatro dias, isso só no estado de São Paulo.

Segundo a promotora de Justiça Gabriela Mansur, é preciso mais investimento nas redes de proteção às mulheres, melhora nas políticas de enfrentamento da violência contra a mulher e uma maior preocupação em reverter esse quadro assustador que o Brasil passa.

De acordo com promotora, já faz 10 anos que as mulheres estão gritando pelos seus direitos, mas ainda não ocorreram mudanças significativas no quadro geral da violência contra as mulheres. Para Gabriela, os dados de feminicídio mostrados pelo jornal "Folha de S.Paulo" não são novidade, pois acredita que as mulheres vivem um retrocesso em relação a muitos dos seus direitos.

Esse retrocesso começa pela falta investimento pelos governos atuais e o fechamento de redes de apoio à mulher vítima de violência.

‘Machismo mata e a gente tem que atacá-lo, descontruindo este tipo de comportamento’, relata promotora de Justiça

De acordo com a promotora, a falta de contratação de profissionais do direito mais sensíveis e capacitados para trabalhar com as mulheres acaba as afastando das redes de ajuda.

Um programa que ajude na ressocialização dos agressores e na sensibilização dos homens também é importante, pois é preciso tratar o agressor, para que ele não volte a agredir outra mulher, defende Gabriela.

A pesquisa do Ministério da Saúde aponta que maior parte das vítimas tem 18 e 25 anos e são identificadas como branca. Para a promotora, todas as mulheres podem sofrer uma violência física de seu parceiro e não se pode desenhar um tipo padrão.

Mulheres com maior grau de ensino e em classes abastadas sofrem tanto com a violência quanto as mulheres mais pobres. O que muda em muitos casos é que a mulher mais pobre tem vergonha de pedir ajuda, pois geralmente é julgada pela família e amigos.

Para Gabriela, o fato, de ainda existir a cultura da culpabilização da mulher nos casos de violência ou estupro acaba levando muitas delas a não denunciar a violência. Algumas vítimas acreditam que por estarem com uma roupa mais curtas ou por terem bebido, de alguma forma, acabaram "facilitando" o crime.

No Brasil, a Delegacia da Mulher foi criada há 30 anos, mas esse foi apenas um passo de muitos que precisam ser dados para que reverter esses dados absurdos e vergonhosos no país. Nenhuma mulher merece ser estuprada ou agredida, independente da roupa ou da sua conduta moral.

Uma sociedade que mata mulheres não respeita a si mesma. As mulheres são as mães que geram a vida, que educam, que cuidam e que permitem uma civilização crescer. Neste Dia Internacional da Igualdade Feminina temos que baixar nossas cabeças em sinal de vergonha e refletir sobre que caminhos temos que tomar para proteger nossas mães, irmãs e filhas.

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