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— Não se esqueça de dar um like no vídeo, compartilhar com os seus amigos e se inscrever no canal!

A fantasia de se tornar um youtuber de sucesso é o equivalente a ser um VJ da MTV na década de 90. Quem não gostaria de ganhar dinheiro trabalhando poucas horas por dia, fazendo o que gosta, sem sair de casa, com zero ou quase nenhum investimento e, ainda por cima, ter o ego massageado?

Como surgiu essa “profissão”?

No início, os youtubers que mais faziam sucesso eram os que mostravam sua vida e faziam comentários sobre assuntos aleatórios. Eles eram chamados de vloggers ou videologgers, por serem pessoas que faziam blogs em formato de vídeo.

Com o passar do tempo, não só o número de canais, mas também os temas foram se multiplicando. Surgiram os gameplays, os tutoriais de maquiagem e as pegadinhas [VIDEO]. Sendo assim, a expressão “vlogger” passou a não fazer mais tanto sentido, tornando praticamente natural a mudança para “youtuber”.

Entretanto, nos últimos tempos o termo tem tomado uma conotação pejorativa, por causa da associação da plataforma aos conteúdos considerados superficiais.

Para que se tenha uma ideia, os vídeos frequentemente encontrados na aba “em alta” são os sobre brinquedos como os fidget spinners, as experiências com geleca, as tags (versão moderna de “verdade ou consequência”) e as “tretas” (brigas entre youtubers).

Para se dissociarem desse nicho em que vale tudo por um like, muitos têm usado um termo mais pomposo e profissional para se autodenominarem: produtores de conteúdo.

Como os youtubers ganham dinheiro?

Basicamente, quem produz para o YouTube ganha dinheiro através do AdSense, que é a recompensa pelos cliques e visualizações dos anúncios mostrados em um vídeo. Porém, como pouquíssimas pessoas realmente clicam nessas propagandas, quase sempre o que se ganha são frações de centavos.

Isso porque existem vários algoritmos que determinam os valores a serem pagos, mas estima-se que seja em média 1 dólar para cada mil visualizações, sendo que o youtuber só começa a receber quando o canal atinge 10 mil views.

Existem, no entanto, outras formas de se ganhar dinheiro. Por exemplo, para aqueles que fazem resenhas de produtos, a publicidade paga através de parcerias com empresas.

É só fazer vídeos e o dinheiro entra na conta?

Boa parte dos que realmente conseguem ganhar dinheiro no Youtube precisa de dedicação em tempo integral à produção de vídeos, além de uma equipe para trabalhar com edição, produção, parceria com empresas etc.

Por isso, ainda são poucos que investem em formatos que fazem sucesso, mas exigem um pouco mais de esforço do que simplesmente ligar a câmera e sair falando.

Por exemplo, esquetes e pegadinhas com alguma qualidade exigem que a pessoa vá para a rua, faça horas de gravação, além de envolver mais pessoas para filmar, captar o áudio e servir de “ator”. Nem todo mundo está disposto a investir tanto tempo e dinheiro para entrar em um mercado tão incerto e concorrido.

Outra novidade do Youtube que não agradou nada quem quer ganhar dinheiro tendo a liberdade de falar o que quiser são os conteúdos “family friendly”.

Muitos anunciantes têm se recusado a associar seus produtos a conteúdos cheios de palavrão e a temas polêmicos como sexo e violência. Ainda assim, essas são regras bem mais brandas do que as que se submetem os trabalhadores das empresas tradicionais.

Por que muitos se desiludem?

Atualmente, estima-se que existam mais de 500 mil canais ativos no site. Nesse amontoado de aspirantes a influenciadores digitais, fica difícil encontrar pessoas que realmente tenham carisma e desenvoltura diferenciada frente às câmeras.

Da mesma forma, quase não se vê um canal com conteúdo ou formato original. Muitos querem se destacar, mas acabam inconscientemente copiando youtubers consagrados.

Além disso, com tanta gente se acotovelando pelas visualizações, não há espaço para que todos tenham lucro. Assim como na maioria dos ramos, não importa o quanto se tenha de talento, geralmente os pioneiros são os poucos que conseguem se consolidar.