Imagine ser condenado pela Justiça pelo envio dos próprios nudes; foi exatamente isso que aconteceu com o jovem Eric Gray, atualmente com 21 anos.

Gray foi condenado pelo Supremo Tribunal do Estado de Washington por pornografia infantil, após ter enviado fotos de um ''menor envolvido em uma conduta sexualmente explícita'' à uma mulher de 22 anos de idade. O menor era ele mesmo, aos 17 anos. As fotos, que mostravam o órgão sexual de Eric, foram enviadas para a mulher em questão em 2013.

O rapaz é portador da Síndrome de Aspenger, que afeta a capacidade de socialização e comunicação. O rapaz enviou a foto enquanto telefonava para a casa da mulher.

O motivo da condenação, no entanto, foi somente a foto. Gray apelou da decisão, mas o tribunal de apelação declarou que era dever da legislatura ''proteger as crianças de si mesmas'', e que, desta forma, não poderia excluir imagens autoproduzidas da categoria de pornografia infantil.

Gray ainda apelou para a Suprema Corte do Estado com a União Americana de Liberdades Civis, o Juvenille Law e o Columbia Legal Services. Uma organização, chamada TeamChild, que defende os direitos da criança juntou-se a defesa do rapaz e argumentou que o Estado não possui o direito de processar um menor de idade por ter tirado e compartilhado uma foto de si mesmo.

A Suprema Corte, no entanto, não concordou com este argumento, e manteve a condenação de Gray.

Envio de fotos íntimas na adolescência

Pesquisas revelam que 18% a 22% de todos os adolescentes norte-americanos já enviaram ou enviam mensagens e fotos de teor sexual explícito, que muitas vezes envolvem suas próprias genitálias ou corpos nus.

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No Brasil, a porcentagem é bastante semelhante; 6% dos entrevistados brasileiros que responderam a uma pesquisa sobre o envio e recebimento de nudes e sexting (mensagens de conteúdo sexual), realizada pela ONG Safernet em 2014, confessaram ter reenviado fotos e mensagens recebidas para terceiros.

Os motivos vão desde a simples irresponsabilidade com a imagem do outro até a vingança pelo final de um relacionamento ou desavenças pessoais. As maiores vítimas do vazamento de nudes são as mulheres: 77,14% das vítimas entrevistadas, de 10 a 25 anos, são do sexo feminino. A exposição de fotos íntimas [VIDEO] na rede pode ter consequências devastadores na vida destes jovens: de depressão e ansiedade, até o suicídio.

Vale lembrar que a divulgação de fotos, vídeos ou quaisquer outros materiais de teor sexual sem o consentimento do dono é considerada pela Justiça como crime de difamação e injúria, segundo os artigos 139 e 140 do Código Penal.