A vitória do deputado federal Jair Messias Bolsonaro (PSC-RJ) nas Eleições presidenciais de 2018 significará a volta dos militares ao poder, agora pela força das urnas. A diferença é que dessa vez não teremos no comando da nação um general cinco estrelas, mas, sim, um reles capitão, cujas ideias explosivas permitem compará-lo a Adolf Hitler.

Com um discurso virulento, Bolsonaro promete levar o país a uma ditadura assim que tomar posse.

Perguntado se, ao tornar-se presidente, fecharia o Congresso, ele foi categórico: "Não há dúvidas. Eu dava o golpe no mesmo dia! Através do voto você não vai mudar nada neste país. Nada! Absolutamente nada!"

Tortura e mortes

Mesmo que não dê o golpe prometido, o capitão da reserva deve transformar o país num quartel, pois promete nomear generais para comandar metade dos ministérios, inclusive o da Educação.

E seu estilo de governo deve reproduzir o terror adotado durante os Anos de Chumbo, já que ele abomina a defesa dos direitos humanos e idolatra a tortura.

Sobre o assassinato de Carlos Lamarca em 1971, ele diz: "Gastaram muito chumbo. Ele devia ter sido morto a coronhadas." Para marcar esta posição ele pretende transformar Carlos Alberto Ustra, o chefe do Doi-Codi paulista nos anos 1970, em herói da pátria.

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Jair Bolsonaro Eleições

Armar todo mundo

A receita de Bolsonaro para resolver o problema da violência urbana também é jogar mais pólvora na questão: "No que depender de mim, você cidadão de bem vai ter a posse de arma de fogo." Para dar exemplo, ele dorme com uma pistola 380 ao lado da cama e mantém outra sobressalente para o caso de, numa noite mais agitada, faltar bala.

Aliás, dar tiro e matar pessoas é uma constante no discurso do deputado.

Ao abordar a questão fundiária, ele afirma: “Se depender de mim, o fazendeiro vai ter fuzil pra se defender do MST. (...)A propriedade é privada. Se alguém entrar em minha casa, merece ser fuzilado? (...)Sem tiro de advertência: primeiro tiro na testa."

Bolsonaro também apregoa a deflagração duma guerra civil e o extermínio de muita gente: "O Brasil só vai mudar quando, um dia, infelizmente, nós partirmos para uma guerra civil aqui dentro.

E fazendo o que o regime ainda não fez, matando uns 30 mil, começando por Fernando Henrique Cardoso. Não deixar ele pra fora não! Matando! E se vão morrer alguns inocentes, tudo bem!

Ao defender a violência como instrumento de estado e que todo mundo dê tiro em todo mundo, o deputado não está blefando. E seu passado mostra isso. Em 1987, ainda capitão da ativa, ele planejou uma série de atentados à bomba no Rio de Janeiro numa operação batizada de Beco Sem Saída. Para reivindicar melhores salários. ele pretendeu explodir artefatos feitos com dinamite na Vila Militar, quartéis e na Academia de Agulhas Negras.

Um Hitler

Apregoando o fechamento do Congresso, a guerra civil e o assassinato sumário de quem pensa diferente dele, Bolsonaro reza na mesma cartilha de Adolf Hitler que dizia: "Na guerra eterna, a humanidade se torna grande. Na paz eterna, a humanidade se arruinaria!"

Aliás, assim como o führer alemão, o deputado destila ódio a negros e homossexuais. Visando tirar dos brancos a culpa pela escravidão para jogá-la nos próprios negros ele afirma: "(...) quem aprisionava o negro na África não era branco, era o próprio negro. Quem caçava negro aqui era, na maioria das vezes, o próprio negro." Expondo sua homofobia crônica, ele chegou a dizer: "Seria incapaz de amar um filho homossexual. Prefiro que um filho meu morra num acidente do que apareça com um bigodudo por aí."

Predestinado

O incrível é que Bolsonaro apela à Bíblia para justificar tanta selvageria e preconceito. "Eu já li a Bíblia inteirinha, com atenção. Levei uns sete anos para ler. Você tem bons exemplos ali. Está escrito: A árvore que não der frutos, deve ser cortada e lançada ao fogo. Eu sou favorável à pena de morte."

Se Jair Messias Bolsonaro leu mesmo tal livro, fatalmente pulou a parte que diz: Não matarás!

Fazendo jus ao Messias que traz no nome, o possível futuro presidente ainda se diz predestinado a ser o salvador da pátria. "Não estou fazendo isso por obsessão, eu entendo que o que acontece comigo é uma missão de Deus e ponto final. Se for a vontade de Deus, se for a missão dele, estarei pronto para cumpri-la."

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