Tudo se deve a uma decisão polêmica do juiz federal Waldemar Cláudio de Carvalho, da 14ª Vara do Distrito Federal, que abriu uma brecha na lei para que os psicólogos pudessem oferecer uma terapia de “Cura gay”, basicamente de reversão sexual, o que é proibido pelo Conselho Federal de Psicologia desde 1999.

Em entrevista, dois homossexuais [VIDEO]e uma bissexual relatam o “tratamento” pelo qual passaram, conduzido por grupos de apoio cristãos, para que voltassem a ser heterossexuais. Um deles afirma que cresceu em uma família cristã, e manifestou a bissexualidade aos 14 anos, quando foi levado a aceitar um tratamento [VIDEO]de “cura”.

Teve que ler vários livros, por exemplo, “Deixando o Homossexualismo”, para depois fazer resumos e discutir o conteúdo com um terapeuta. Nessa época, voltou a namorar com garotas, pois era bissexual, mas foi aí que decidiu investigar e descobriu que quem passava por tratamento não mudava de opção, e isso o fez “despertar”, como ele mesmo conta.

A psicóloga com quem ele se consultava, inclusive, teve seu registro cassado, uma vez que é proibido fazer esse tipo de tratamento. Durante esse período, houve muito sofrimento silencioso e tentava se reprimir devido ao preconceito.

Outro relato é sobre um rapaz que se descobriu gay aos 17 anos, e ele mesmo procurou ajuda por achar que estava errado. Tudo funcionava como um grupo de apoio dos Alcoólicos Anônimos. Mas quando o líder do grupo, que dizia ser um ex-gay, passou a dar em cima dele, foi que houve um “clique” e ele se viu em meio a um círculo de hipócritas.

O terceiro relato é de uma garota lésbica que afirma já saber de sua opção aos 11 anos. Ao contar para a mãe foi que sentiu o peso das suas palavras. Aos 15 anos, a mãe a prendia em casa e evitava ao máximo que tivesse vida social, por medo que a garota fosse influenciada. Além disso, dava pitacos no seu modo de se vestir, afirmando que a filha deveria ser mais “menininha”.

Foi então que começou o tratamento com um psicólogo, onde ela fazia sessões três vezes por semana no que define como “pior momento de sua vida”. Os questionamentos do profissional a faziam se sentir culpada por ser o que era, dando a sensação de que havia algo de errado consigo mesma. Mas no fim, vendo que sua paciente era realmente lésbica e tinha sua personalidade bem definida, ele conversou com a mãe dela.

O último estágio do tratamento era composto de sessões onde o psicólogo trabalhava com a garota a sua autoaceitação, invertendo o tratamento original, para que ela não ficasse traumatizada. Foi aí que ela percebeu que não havia nada de errado com ela.

Vários artistas se manifestaram contra essa decisão, entre eles Pabllo Vittar, Anitta, Isis Valverde, Daniela Mercury, entre muitos outros.