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A quem devemos recorrer neste momento crítico da política brasileira?

Estamos vivenciando o pior momento da história do judiciário brasileiro, onde o descrédito da população ecoa uníssono por conta da seletividade com que os tribunais apreciam e julgam os processos relacionados à Operação Lava Jato, notadamente se referindo aos políticos denunciados nessa operação, que teria como propósito único, a aplicação da lei em quem comprovadamente estivesse envolvido em qualquer ato ou processo de corrupção.

O que se acompanha diuturna e exaustivamente nos noticiários televisivos brasileiros são matérias sobre supostos envolvimentos desse ou daquele político em atos de corrupção que, independente das provas de natureza irrefutáveis, tem suas prisões decretadas ou não.

Tudo depende exclusivamente em qual sigla partidária transita o acusado e o que pode advir de consequência danosa aos interesses sabe-se lá de quem ou de qual agremiação que briga por mais espaço na divisão de cargos amplamente fatiados e divididos entre aqueles que dão sustentabilidade ao Governo do presidente em exercício.

Só para ilustrar, tivermos dois casos recentes que jamais passariam despercebidos por qualquer cidadão com o menor senso de observação ou por mais leigo que pudesse parecer, deixando a entender que os responsáveis pela condução dessa operação e pelos seus julgamentos, subestimam a inteligência da nação brasileira. No caso relacionado a prisão do ex-senador Delcídio do Amaral, nada resta comprovado, até então, que ele teria obstruído a justiça ao ponto de se justificar a sua prisão e a imediata cassação do seu mandato parlamentar, levado a efeito por uma seção do congresso que mais parecia uma execução sumária.

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Um outro caso de tamanha relevância aconteceu essa semana, mais precisamente dia 25 do mês em curso, quando o Supremo Tribunal Federal se reuniu em seção para julgar mais um pedido de prisão do senador Aécio Neves [VIDEO], requerida pela Procuradoria Geral da República e, no caso específico, entendeu a Suprema Corte que não poderia decretar a prisão preventiva pela total ausência da condição de flagrante delito, penalizando-o com a perda do mandato parlamentar e com o cumprimento de algumas determinações judiciais.

Há de se questionar, finalmente, por que o entendimento não foi igual nos dois casos?

Com a palavra, os responsáveis pela aplicação das leis.