O Brasil neste momento, conforme a opinião de muitos analistas, se assemelha mais a um grande e poderoso boxeador, mas que tomou uma saraivada de golpes do seu adversário e está grogue, quase indo ao solo, e o juiz responsável pelo combate nada faz para separar os adversários. Ao contrário, parece que se vangloria de ver um dos atletas sofrendo, ou melhor, ver o país sangrando.

Deixando a linguagem figurada de lado, o Brasil passa pela sua pior crise política, econômica e de identidade nacional nestes últimos meses de governo do presidente Michel Temer com a contribuição do Judiciário.

Por exemplo, os anteriormente unânimes respeitados juízes, passaram a ser questionados em todas as instâncias pelo povo brasileiro, em função de comportamentos considerados descabidos por grande parte da população ou mesmo por decisões, no mínimo, desprovidas de razoabilidade.

É o caso do juiz federal Sergio Moro da comarca da cidade de Curitiba, Paraná, que lidera a Operação Lava Jato, visando combater a corrupção e os corruptores, mas que é execrado por partidos políticos de esquerda e com tendências ao social, uma vez que Moro é acusado de ser tendencioso, falastrão e condenar erroneamente, sem provas.

Um outro juiz se tornou um nome recorrente na mídia nos últimos dias, a saber, José Eugênio Souza Neto, que atua no Fórum da Barra Funda, na cidade de São Paulo, e ordenou que o agressor que ejaculou no pescoço de uma passageira no interior de um coletivo, na famosa Avenida Paulista, na última terça-feira (29), fosse solto pela polícia, uma vez que o delinquente público, na concepção do magistrado, não cometeu nenhum constrangimento mais grave.

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Sergio Moro Michel Temer

Por outro lado, nem todos os juízes brasileiros parecem ter assumido o “lado do mal” na opinião dos brasileiros. Tanto é assim que o excelente exemplo vem na pessoa do juiz do Distrito Federal Rolando Spanholo, que obrigou que fosse suspenso de imediato "todo e qualquer ato administrativo" com o objetivo de se acabar com a Renca (Reserva Nacional do Cobre e Associados).

Rolando Spanholo é gaúcho da cidade de Sananduva, filho de um borracheiro de origem muito humilde, mas no ano de 2015 foi empossado como juiz federal no DF.

Spanholo, ao conversar com a imprensa, relembrou que começou a trabalhar com 9 anos de idade e que durante o inverno rigoroso do Rio Grande do Sul, tinha os pés e as mãos congelados, com fissuras, porque ele não usava nenhuma luva ou alguma proteção no corpo.

O juiz, que vem sendo chamado de o “defensor da Amazônia", disse ainda que tanto ele quanto os outros quatro irmãos trocavam de roupa entre si, a fim de variarem o vestuário na faculdade.

Buscando romper com a realidade difícil da vida de um borracheiro, Rolando cultivou em si mesmo os componentes de disciplina e motivação, estudando no ônibus, costurando edredons para obter dinheiro adicional, pedindo livros emprestados, e não foi à toa que o rapaz juntou 200 quilos de papel na forma de cadernos, fotocópias e resumos de matérias para se debruçar nos estudos.

No ano de 2014, Spanholo se estabeleceu entre os 60 primeiros aprovados no concurso para preencher as vagas de juiz federal, ao que ele atribuiu novamente como um ato de esforço dele e de seus familiares.

Rolando Spanholo, no mesmo dia 29, dia em que um homem cometia um ato vil e condenável contra uma passageira no interior de um coletivo paulistano para logo depois ser solto por um juiz de São Paulo, decidia por impedir que a Renca fosse destruída, pelo menos momentaneamente, por iniciativa de Michel Temer e sua trupe de saltimbancos.

O juiz Spanholo determinou que qualquer tipo de alteração no uso dos recursos encontrados naquela parte específica da nação só será executado mediante decisão do Poder Legislativo.

Por sua vez, a AGU (Advocacia-Geral da União) já disse que recorrerá ao Tribunal Regional Federal da 1ª região, visando a suspensão da liminar.

A título de esclarecimento, a Renca foi criada em 1984 e está situada entre os Estados do Amapá e do Pará, possuindo mais de 4 milhões de hectares, o que é o equivalente ao tamanho da Dinamarca, sendo que as terras sob discussão têm um potencial para produção e exploração de manganês, ferro, tântalo e ouro.

Sergio Moro, José Eugênio Souza Neto e Rolando Spanholo, três juízes, mas com três comportamentos e posturas totalmente distintos. Na sua opinião, qual deles tem mais caráter, competência e amor ao Brasil e a sua população?

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