Incomodados com manifestações artísticas que não correspondem aos seus ideais, muitas pessoas reclamam de certas exposições e exigem que elas sejam encerradas e retiradas do alcance de suas visões. A intolerância tem um limiar alto e se manifesta após o acúmulo de insatisfações, principalmente com o poder público.

Um povo que não vê seus valores e interesses representados pelo governo e Justiça, torna-se um campo fértil para agir em seu próprio nome, esperando, com isso, que os problemas sejam resolvidos quando da manifestação de sua discordância e insatisfação. Não é novidade que um grupelho se autointitule defensor dos valores que uma sociedade deva usar como base.

A falta da sensação do poder estabelecido é que estimula essas ações. Não é à toa que ao fim dos regimes ditatoriais as estátuas de seus ex-líderes são vandalizadas e derrubadas em meio a uma comoção social, onde os participantes dessa “festa” sentem-se vingados e satisfeitos com a liberdade de expor seus sentimentos.

Mas há também situações onde grupos organizados cultural e intelectualmente se manifestam e exigem mudanças em relação a essas demonstrações de poder estabelecido. Isso aconteceu com a retirada de estátuas de Cristóvão Colombo na Argentina, Espanha e Venezuela, com a alegação que o navegador foi um representante de colonizadores que massacraram índios e promoveram a escravidão. Por isso, não devia ser homenageado.

O confederado General Lee [VIDEO] também teve suas estátuas derrubadas nos Estados Unidos.

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Ano passado, em meio a uma disputa política pela Prefeitura de São Paulo, o Monumento às Bandeiras foi pichado porque os bandeirantes não são considerados mais heróis, e sim assassinos de índios.

O mais recente ato de intolerância e ignorância cultural aconteceu há poucos dias contra a Exposição Queermuseu, em Porto Alegre (RS). A exposição teve seu final antecipado por causa de pressões de grupos de pessoas que não sabem ser flexíveis, não querem aprender, nem querem deixar que outras pessoas possam ser diferentes.

Nesse momento tão frágil da civilização humana, quando os valores são questionados, a cultura é colocada na berlinda, e as pessoas disputam o privilégio de determinar o que é que pode ser considerado arte, e o que é lixo. Temos que parar para ver onde é que erramos na educação.

Temos que tomar outro rumo imediatamente, para que as próximas gerações (essa já está irremediavelmente perdida) possam ter conceitos diferentes – e melhores – que o que temos hoje sobre cultura. Para que as pessoas sejam mais tolerantes com o desconhecido, com o novo, com o outro.

O mundo é grande, mas nem tanto. Temos que aprender a conviver uns com os outros, mesmo que o outro pense diferente de nós. Afinal, a dificuldade que temos de aceitá-lo deve ser a mesma que ele tem em nos aceitar.

Devem ser essas diferenças resolvidas na base da força e de quem grita mais alto?