‘Policia Federal – A Lei É Para Todos’ levou às salas de cinema mais de 500.000 pessoas em seus primeiros dias nos cinemas. Colaborou para este bom resultado nas bilheterias a emblemática data de estreia do filme, o feriado de 7 de setembro. Além disso, o filme ocupou mais de 1.000 salas por todo o Brasil, isso quer dizer 1/3 do total de salas de cinema do país.

Já havia muita polêmica envolvendo o filme meses antes de sua estreia, incluindo até mesmo a participação do empresário Eike Batista como produtor-executivo da produção, entre outras polêmicas em que o filme está envolvido.

Polêmicas e estratégias de marketing à parte, no que realmente importa em relação ao filme, a qualidade artística, infelizmente não há muito a se dizer.

‘Muito barulho por nada’, assim poderia ser definido o filme do diretor Marcelo Antunes, mais conhecido por seu trabalho com comédias nacionais.

É compreensível que em uma adaptação para o cinema de fatos reais, muito do que é visto na tela não tenha de fato acontecido. Mas o filme peca pelo exagero ao dar tons de filme de ação do cinema americano a fatos que sabidamente não foram tão emocionantes assim.

A comparação mais direta que é feita com este Polícia Federal é com o oscarizado ‘Spotlight’, produção de 2016 que, apesar de não ser essa Brastemp toda, mostra que é possível uma produção baseada em fatos reais ser sóbria sem ser maçante.

Outro ponto negativo do filme é o ótimo ator Ary Fontoura interpretando o ex-presidente Lula, a construção do personagem pelo ator mostra-se um total fiasco.

Não atrapalha o fato Ary não ser nada parecido com o personagem retratado, isso teria sido um ponto positivo da produção, o fato de não cair em tentação de querer fazer com que o ator ficasse o mais parecido possível com o ex-presidente. O que poderia fazer com que Ary Fontoura se concentrasse mais na construção do personagem.

Causa desconforto ver na tela o Lula [VIDEO] interpretado pelo veterano ator, o ex-presidente é retratado de forma caricata. Na tela vemos um Luiz Inácio Lula da Silva arrogante ao extremo.

O filme atira para todos os lados ao misturar vários recursos narrativos - e incrivelmente falha em todas as tentativas – narração em off, uso de flashbacks, cenas de ação e até mesmo uma tentativa de parecer descolado com o uso de animação logo no inicio do longa.

Se atualmente o cinema brasileiro consegue reproduzir a crueza da vida urbana com produções como ‘Cidade de Deus’ e os ‘Tropa de Elite 1 e 2’ e mais recentemente tem sido bem sucedido em retratar a atual classe média em produções como ‘A Que Horas Ela Volta’; ‘Aquarius’ e ‘Como Nossos Pais’. o mesmo não pode ser dito quando o assunto está relacionado a temas como a política.