O Grêmio encanta a torcida em 2017 com o melhor futebol do Brasil. Faz um ano espetacular após o final do jejum de títulos no ano passado. Parece heresia cotar que Renato Gaúcho está entrando no final de mais uma passagem pelo Tricolor. O problema é que está. Pode começar a botar na conta as escolhas duvidosas do treinador, a cartilha desgastada de jogo e a soberba de acreditar que o seu time é o melhor do país, mesmo sem ter ganho nada ainda na temporada e ter tido duas eliminações traumáticas.

A série de decisões erradas de Renato começou ainda no início do ano, mas foi escondido pelas impressionantes atuações de um futebol ofensivo e a vitória com reservas na Libertadores.

Naquela mesma semana, o Grêmio seria eliminado pelo aguerrido Novo Hamburgo nos pênaltis e com titulares em campo, poupados do torneio continental.

Passou batido, assim como as confusas preferências de elenco. Renato mostrou que confiava em Fernandinho, que ganhou a torcida após boas atuações, mesmo não sendo decisivo quando necessário. Ao mesmo tempo, preteriu o uruguaio Maxi Rodriguez e praticamente não utilizou o argentino Gaston Fernandez, que mesmo entrando de 10 a 20 minutos por jogo, apareceu entre os líderes de assistência do Grêmio. Maxi e Gastón se foram, Fernandinho ficou, e não evitou a eliminação na Copa do Brasil, nem salvou pontos com os reservas no Brasileirão.

Aliás, quer escolha mais insana do que poupar reservas na Liga Nacional para tentar conquistar novamente a Copa? Fica ainda mais bizarra quando se pensa que a diferença entre Grêmio e Corinthians já foi de três pontos e o Timão perdeu duas seguidas em casa para times do Z4.

Pior ainda perceber que isso não evitou o fracasso para o Cruzeiro no torneio nacional.

Fracasso que mostrou como Renato é "curto" quando se trata de substituições (talvez ele precise refletir mais enquanto senta na praia). Todos sabem as substituições do técnico gremista de cor e salteado, quer ver? Começa com Fernandinho no lugar de Pedro Rocha (às vezes no lugar de Ramiro), depois sai Barrios e entra Everton, para fechar com a entrada de Maicon na vaga de Arthur, ou o contrário, quando o jovem inicia no banco. As substituições, às vezes, surtem efeito, mas, às vezes, não.

Contra o Cruzeiro, por exemplo, Renato perdeu o poder ofensivo com Barrios. Poderia ter colocado o criativo Léo Moura no lugar de Edílson ou de Ramiro, e ainda ganharia um cobrador de pênalti. As escolhas equivocadas de campo não param por aí.

Quem cobra pênaltis na equipe gremista? Para Renato, Luan, que claramente não sabe cobrar penalidade. Barrios, que não errou um penal com a camisa gremista, e Arthur, que mostrou ser craque nisso também, ficam a ver navios.

Essa falta de controle fez o Grêmio perder para o Corinthians em casa, perder mais pontos preciosos no Brasileirão e ter duas eliminações nos penais na temporada.

Não para por aí. O que vem a seguir é o que decretará o título deste artigo. Bolaños, após um ano e meio no clube, pediu para sair. Coincidentemente, mais um estrangeiro que pede para deixar a barca, assim como Gastón. Parece que a maneira como Renato conduz o elenco não agrada os jogadores de fora.

Vale lembrar que Barrios era banco na sua chegada, outra escolha bem estranha do técnico gremista. Não se pode afirmar que o treinador tenha algo com estrangeiros por falta de evidências mais claras, mas que é estranho, é.

A Libertadores está aí e dificilmente Renato mudará as suas convicções, que é o que acontece com 99% dos treinadores. Ainda há tempo, se o Gaúcho do Tricolor quiser salvar o ano do clube. Se não quiser, ah, Renato começará até a ouvir que quem treinava o Grêmio era Valdir Espinosa.