A educação é o ponto básico para estruturar uma sociedade, porém, somente é visto o lado obscuro da educação do Brasil, onde o descaso com o ensino público é uma realidade dura que não pode ser deixada de lado.

Analisando a chegada dos Jesuítas, que tinham como objetivo catequizar os índios durante a colonização brasileira, nota-se que o descaso com a educação é uma parte integrante da história do Brasil, e a catequização indígena é a forma mais imediata de "processo educacional".

O método utilizado por esses "professores" era o da persuasão, feitos com discursos de medo que pregavam o pecado e o purgatório. Os Jesuítas não tinham um projeto educacional "intelectual", como o que era desenvolvido na Europa, mas, sim, uma imposição aos "selvagens" - como eram denominados os indígenas pelos colonizadores portugueses - da cultura e das tradições europeias.

Os negros, que eram mantidos como escravos durante o período em que o Brasil foi colônia de Portugal, não tinham direitos a educação escolar.

As crianças negras até os seus sete anos de idade, brincavam e participavam da vida social na "casa branca", tendo a idade superior a sete anos eram escravizadas, vendidas ou feitas de "moeda de troca". Como era dito, essas crianças cresciam longe das "letras" e dos "números"; sendo assim, sem estudos.

Os que tinham Direito de irem à Escola - os portugueses colonizadores, os filhos desses colonizadores e as famílias que tiveram ascensão social - não davam a menor importância e estudavam até dominarem as "letras" e os "números"; eram raros os casos que davam continuidade a vida escolar.

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Essa falta de interesse era devido o Brasil ainda ter permanecido em sua forma escravagista, enquanto a Europa vivia em um período de renascimento econômico e cultura.

A péssima situação da educação no âmbito escolar faz parte da organização brasileira até os dias atuais, e é claro perceber essa situação através dos números de crianças e jovens fora da sala de aula. Segundo os dados do Censo Escolar de 2016, divulgado em 16 de fevereiro de 2017 pelo INEP, 2,8 milhões de crianças e adolescentes de 4 a 17 anos não frequentam o colégio, pois trabalham enquanto deveriam estar estudando.

Um dos fatores que levam esses jovens a abandonarem os seus estudos para trabalharem é a pobreza e a percepção de que a escola não agrega em nada. Ademais, tem a "crença" de que se deve trabalhar desde muito cedo para ajudar em casa, e, assim, deixando a educação escolar em segundo plano na formação do indivíduo.

Analisando a frase de Darcy Ribeiro, "A crise da educação no Brasil não é uma crise: é um projeto", é possível voltar ao início da história, onde a herança que os brasileiros receberam de não ter o direito educacional de qualidade e igualitário traz as tristes realidades que são presenciadas principalmente em comunidades carentes.

A educação não é uma autoajuda nem pode ser resolvida por um único indivíduo, pois, é antes de tudo, um problema político, social e cultural.

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