Antes de qualquer coisa, é preciso retomar o conceito "economia de materiais". Trata-se de um processo que se inicia na extração, passa pelas fases de produção, distribuição, #consumo e termina no tratamento de lixo. Parece lógico, mas esse é um sistema em crise.

Como explica a cientista ambiental Annie Leonard no vídeo "The Story of Stuff" (2007), “trata-se de um sistema linear e nós vivemos num planeta finito. E não se pode gerir um sistema linear num planeta finito” - não é por acaso que a reciclagem é representada por um símbolo que remete a um ciclo. Essa constatação é suficiente para percebermos que esse modelo é completamente equivocado e gera impactos ambientais, econômicos e sociais muitas vezes irreversíveis.

Mas não para por aí.

Não, He-Man, isso não é só uma questão de inteligência, mas também uma questão de estratégia. Não só estamos produzindo por meio de um modelo que o planeta não tem como sustentar, como também somos incentivados a consumir mais do que realmente precisamos. E isso acontece por meio de duas principais estratégias:

  • #obsolescência planejada, que consiste na produção de um bem de consumo programado para parar de funcionar após um período pré-determinado;
  • Obsolescência perceptiva, que convence o consumidor a substituir produtos que ainda funcionam, plantando nele o desejo de possuir algo um pouco melhor, um pouco mais moderno e um pouco antes do que seria necessário.

O tema é abordado no documentário "La Historia Secreta de la Obsolescencia Programada" (2011) e tratado como o “motor secreto da nossa sociedade de consumo”.

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Ele explora a história de uma lâmpada que funciona há mais de um século. O segredo da durabilidade? Ela foi fabricada antes do Cartel Phoebus, um plano mundial criado para controlar a produção e o consumo de lâmpadas por meio da diminuição da vida útil do produto.

É difícil escapar da obsolescência planejada e poder manter o estilo de vida. Não só pelo conforto, mas também por aspectos como a escolha profissional, que praticamente obrigada o consumidor a possuir determinados produtos (leia-se: últimas versões dos mais variados aparatos tecnológicos). É difícil também lutar contra a obsolescência perceptiva, já que, hoje, o valor social de uma pessoa está intimamente ligado à capacidade que ela tem de consumir. O ritmo de vida acaba escondendo, mas o fato é que a maior parte das pessoas acaba sucumbindo a esse apelo.

A conclusão a qual chegou o vídeo "The Story of Stuff” é que o panorama começaria a mudar quando as pessoas se unissem para transformar esse sistema linear em algo novo, um sistema que não desperdice recursos ou pessoas, acabando com a antiga mentalidade de usar e jogar fora.

A proposta de um novo modelo comercial, chamado consumo colaborativo, pode ser uma das soluções.

Esse modelo sustentável é baseado em três sistemas: mercado de redistribuição, estilo de vida cooperativo e serviços de produtos. Esses sistemas incluem ações de troca (BookMooch), compartilhamento (Caronetas), aluguel B2C (Netflix) ou C2C (Airbnb), além de compra de produtos usados (Estante Virtual). Como explica Guilherme Brammer, fundador do DescolAí, “a ideia é que as pessoas não precisam ter a posse dos objetos. Apenas o acesso a eles. Por exemplo: você não precisa comprar uma furadeira se só vai usá-la poucas vezes”.

É óbvio que o cenário só vai mudar por meio da participação de consumidores que estejam dispostos a mudar seu estilo de vida. Não se pode esperar apenas que o governo e as grandes corporações mudem o rentável modelo atual em prol de uma economia mais sustentável, guiada pelo bem estar das pessoas e pela preservação do meio ambiente. Essa mudança começa em cada um de nós. Precisamos assumir parte da responsabilidade e começar a deixar de lado os maus hábitos. Se começarmos agora, talvez ainda dê tempo de salvar alguma coisa.