Na última década, tornou-se rotina os “grandes” times brasileiros serem eliminados por equipes fraquíssimas da Bolívia, Equador e Paraguai. São sucessivos os fiascos, mesmo assim, os torcedores de diversas equipes seguem sendo enganados seja pelo clube, jogadores ou até mesmo por uma parte da imprensa que insiste em vender a falsa de ideia de que nossas equipes e campeonatos são de alto nível.

Os ingressos não só do futebol nunca foram tão caros. Cada vez mais, o torcedor humilde, que por décadas lotou estádios, agora está fora deles, só mesmo quem tem um ótimo salário pode levar a família ou então ser sócio-torcedor de um clube chamado “grande”.

Resumindo, vivemos a era da elitização do futebol.

Se os ingressos estão mais caros do que nunca esperava-se que o futebol estivesse de alto nível, não é mesmo? Porém o que ocorreu foi exatamente o contrário. Já há alguns anos, os grandes clubes pagam salários de craques para jogadores abaixo da linha da mediocridade. Graças a uma bela estratégia de marketing, que conta inclusive com parte da imprensa esportiva iludindo o torcedor apaixonado, conseguem, como em um passe de mágica, transformar verdadeiros peladeiros de 5ª, em grandes craques. É como se você pagasse para assistir a um show do Rolling Stones e do Guns n’ Roses, mas acabasse assistindo ao Tiririca.

Mimados e ruins de bola

É importante destacar que tirando os jogadores dos times grandes e alguns dos medianos, os outros 99% não conseguem sobreviver só da profissão de atleta.

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Mas é esse 1% que está na mídia e que recebe muito mais do que merece, não por culpa totalmente deles, mas também de dirigentes que, de maneira irresponsável, aceitam endividar um clube, pagando 300, 400, 500 mil a quem deveria ganhar no máximo 50 mil.

Os jogadores dos grandes times têm de tudo hoje, nutricionistas, fisiologistas, CTs de 1ª (em muitos clubes) e uma penca de profissionais para ajudá-los a render mais.

Entretanto, mesmo com toda mordomia, dentro de campo o que se vê é um festival de ruindade: erros de passes, toques e mais toques para o lado, cera, etc. O drible está praticamente extinto do jogo. Há partidas no Brasileirão em que são computados apenas 2, 3 dribles. Isso é futebol?

O pior de tudo é que quando criticados, muitos desses jogadores fazem “biquinho”, mas se conhecessem um pouco só sobre o passado recente do nosso futebol, ficariam constrangidos de receber tanto e entregar tão pouco

Vexames seguidos

Há pouco tempo, quando o Atlético MG foi eliminado pelo Jorge Wilsterman da Bolívia, os torcedores [VIDEO]do Galo ficaram na bronca, mas logo a imprensa tratou de esquecer o assunto.

O que era para ser considerado como um vexame imperdoável, foi tratado como uma infelicidade e ponto. Só um detalhe sobre esses dois times: a folha salarial de um mês do Atlético, paga dois anos dos salários dos bolivianos.

O Flamengo também vem dando seguidos vexames em competições na Libertadores. É o time brasileiro que mais vezes foi eliminado na primeira fase da Libertadores. Há alguns anos, conseguiu a “proeza” de não conseguir se classificar em um grupo em que tinha um time da Bolívia, outro do Equador e outro do Chile. Este ano, apesar dos vários investimentos, novamente a equipe caiu na primeira fase do torneio. Porém, poucos dias depois, a mídia já estava dizendo que em 2018 “O Mengão virá com tudo na Libertadores”.

O Palmeiras, que se gaba por ter a folha salarial mais alta do Brasil, foi eliminado pelo Barcelona, não da Espanha, mas o de Guayaquil. Dias depois, o assunto estava esquecido.

Assim foram com tantas outras eliminações, como do Corinthians [VIDEO] para o Guarany do Paraguai, do São Paulo, para o desconhecido Defensia Justiça, etc.

Por que não botam o dedo na ferida?

Uma parte da imprensa finge que os seguidos vexames dos times brasileiros são “fatalidades” e que o péssimo futebol de nossos jogadores ocorre apenas vez ou outra, porque não querem perder a audiência, o dinheiro do pay-per-view ou parar de vender jornal. É preciso criar uma realidade paralela e anunciar que no próximo domingo ou na próxima quarta, haverá um grande jogo, com muitos craques e jogadas extraordinárias, e que no ano que vem, ah! É certeza que os times brasileiros detonarão na Libertadores.

Resta saber até quando o torcedor, movido pela paixão por seu clube e pelas mentiras da mídia, seguirá pagando caro por algo que não vale nem 10% ou dará audiência, quando poderia fazer coisas bem melhores.

Os grandes times e seus torcedores merecem jogadores de qualidade muito melhores do que essa atual geração pode oferecer, exatamente por isso, salários e preço de ingressos precisam ser reduzidos, pois quem nasceu para cantar como o Tiririca, jamais será um Axl Rose.