É preciso dizer que o Brasil está em apuros. Estamos correndo o risco de prejudicar, mais ainda, a nossa jovem democracia e isso é muito preocupante.

Recentemente, o deputado federal e pré-candidato a presidente da República Jair Messias Bolsonaro [VIDEO] (PSC-RJ), que é uma espécie de semente autoritária, vem alcançando notoriedade nas pesquisas para a eleição de 2018. Isso pode ser o recomeço daquilo que há muito tempo nós vínhamos buscando nos afastar, ou seja, de um regime autoritário onde as minorias perdem voz e onde o trabalhador precisa agradecer as migalhas que recebe.

Se lembrarmos do período do regime militar, de onde surgiu o Bolsonaro, veremos que a classe trabalhadora nunca saiu dos lugares subalternos da sociedade.

Esse é outro perigo que corremos o risco de voltar. Não que o trabalhador tenha saído desses lugares, mas pelo menos, nesses últimos 12 anos chegou a ganhar uma certa notoriedade e autonomia em relação a alguns direitos que vinha adquirindo.

Infelizmente, com o governo atual, o trabalhador está, praticamente perdendo tudo o que conquistou. Mas isso é assunto para outro artigo, neste eu quero me atentar ao "Messias".

Pois bem, o perigo começa pelas mensagens que o "grande messias" anda soltando em suas aparições públicas, frases que estão deixando até muitos de seus seguidores nas redes sociais preocupados de tão absurdas que elas são. O "Messias" disse numa viagem que fez recentemente aos Estados Unidos, aonde chegou a bater continência para a bandeira daquele país (mostrando submissão), que, se chegar a ganhar a eleição presidencial, colocará uma arma na mão de cada cidadão e que irá dar carta branca para a polícia matar.

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Isso mesmo. Pasmem! Carta branca para a polícia matar.

O deputado não lê as estatísticas do nosso país onde afirmam que a polícia do Brasil é uma das que mais mata no mundo. Chegando a matar mais do que em alguns países que estão em conflito interno. Para o "Messias", isso não parece importante já que ele vem "pegando no pé" dos direitos humanos já faz algum tempo, alegando que "esses direitos" são feitos para proteger bandido.

Claro que para o presidenciável a extrema desigualdade em que o Brasil sempre esteve afundado nunca foi motivo para causar esse tipo de problema. Para quem conseguiu viver do dinheiro público até agora, fica fácil julgar muitos daqueles que nunca tiveram ajuda do poder público.

No entanto, qual é o medo do povo para permitir tal ascensão?

Sim, porque essas figuras como o "Messias" só aparecem de tempos em tempos, ou seja, quando há terreno propício para trazer de volta a barbárie, ou reacender, através do pânico, terror, aflição e palavras de ordem extrema, sem espaço para o diálogo.

Tudo isso sustentado por algum tipo de pavor/revolta que o povo esteja enfrentando.

No nosso caso, até parecido em alguns aspectos com as ideias totalitárias de Adolf Hitler, estão sustentados no medo da corrupção, ameaça comunista (ainda) e violência interna. O que impressiona é que ele quer solucionar a violência com mais violência, ou seja, seguindo o inverso de países como Suécia, Irlanda, Dinamarca, que são considerados exemplos de lugares onde o índice de violência é baixíssimo, mas que para conseguirem esses resultados não precisaram usar violência ou mais repressão. Pelo contrário, mais diálogo, educação e, claro, distribuição de renda, melhorando a vida do povo daqueles países.

O nosso grande problema é que não sabemos lidar, ainda, com a nossa jovem democracia. Somos um pais muito inexperiente em muitos aspectos, diria emergente. Por exemplo, não podemos esquecer que no Brasil a primeira instituição de ensino superior foi a Escola de Cirurgia da Bahia, criada em 1808. “Depois vieram as faculdades de Direito de São Paulo e de Olinda, em 1827”, diz a historiadora Maria Lígia Coelho Prado, da USP (Universidade de São Paulo).

Portanto, em comparação com ouros países europeus e até americanos estamos engatinhando no que se refere à dignidade de direitos. O período da ditadura militar no Brasil trouxe grandes retrocessos no campo de direitos. Não podemos esquecer que Paulo Freire foi exilado do país por chegar a propor, com outros pensadores da sua época, uma escola para todos, ou seja, universalizar o ensino básico no Brasil. Pasmem! Exilado por propor educação. Sem esquecer da morte de Anísio Teixeira, grande educador da época, que até hoje deixa rastros terríveis de suspeitas para muitos.

Tudo isso é relembrado para que não esqueçamos do nosso passado quando colocamos em questão qual vai ser o nosso futuro. O "Messias" representa aquilo que de mais atrasado possamos querer para o nosso país. Perigo a um retrocesso nos direitos humanos que nem alcançamos ainda totalmente e, claro, gerando mais violência. Se pensam que mais violência vai trazer paz, é melhor folhearem os livros de história, porque o passado existe para que possamos aprender com os erros e não para querer repeti-los.

Se esse "Messias" representa o bem, eu tenho medo do que possa ser o mal. Porque de "boa intenção o inferno está cheio", não é assim que o senso comum diz? Se tínhamos a impressão de que a mensagem do messias seria aquela que traria paz, amor e união, percebam que a mensagem desse "Messias" é o contrário, ou seja, de muita guerra, ódio e desunião. Eu acho bom repensarmos na nossa escolha para 2018 porque tem muitos alemães envergonhados do seu passado.

Fica a dica de um livro para entendermos mais sobre o regime militar no Brasil: "Memórias de Uma Guerra Suja", escrito por Claudio Guerra, ex-delegado do Espirito Santo no período dos Anos de Chumbo. Nunca é demais se informar.