O Dia das Crianças no Brasil é comemorado no mesmo dia de Nossa Senhora Aparecida [VIDEO], padroeira do país. E o que há de comum entre essas duas datas? Primeiro, que à relação de toda criança com sua mãe é uma relação especial, sagrada. Segundo, que toda criança possui uma mãe no céu, que é eterna. No entanto, Jesus alerta (Mateus 18:3): “Com toda a certeza vos afirmo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no Reino dos céus”. Dessa forma, ser criança significa trazer em nós a pureza, a alegria e a confiança que a criança traz dentro dela.

Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), no Art.

2º “considera-se criança, a pessoa até doze anos de idade incompletos, e adolescente aquela entre doze e dezoito anos de idade”. Num sentido mais amplo, a infância abarca todas as idades da criança: desde que é um recém-nascido até à pré-adolescência, passando pela fase de bebé e de infância media. Em suma, criança é uma pessoa que ainda tem poucos anos de vida.

Para o filósofo Rousseau (1712-1778), a infância é um período essencial na formação humana. O mais importante de todos. É o período em que se forma o adulto de amanhã. Na sua obra “Emílio ou Da Educação”, Rousseau apresenta as linhas educativas para pais, educadores [VIDEO], aqueles que lidam com a criança, para transformá-la num adulto educado, não afeito às corrupções do ambiente social. Ou seja, para o filósofo a infância é o período em que pais e educadores têm a possibilidade de construir um homem novo, natural e equilibrado.

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O desenvolvimento da criança implica uma série de aprendizagens que serão essenciais para a sua formação, mais tarde, como adulto. Durante os primeiros anos de vida, a criança deve, para além de despertar os sentidos, desenvolver a sua linguagem para depois aprender a ler e escrever. No entanto, pode-se perguntar: como a sociedade estar ensinando as nossas crianças? Que valores estão sendo ensinados aos pequeninos? Será que as crianças não estão se transformando em consumidores alienados?

No Brasil, quiçá no mundo, estudos apontam que as crianças têm grande influência nas decisões de compra. As crianças são os verdadeiros “donos” do orçamento familiar. Na pirâmide do consumo as crianças assumem a dianteira. Ou seja, alas definem o que deve e o que não deve ser comprado, consumido. Dessa forma, muitos pais não medem esforços para realizar os desejos dos filhos e acabam comprometendo as finanças da família.

Por outro lado, deve-se dizer que o consumismo é prejudicial às crianças, isso porque elas se encontram em uma fase delicada do desenvolvimento e, portanto, são mais vulneráveis que os adultos.

Dentre outras consequências do estímulo ao consumismo infantil, destaca-se a obesidade e a erotização precoces, o consumo prematuro de tabaco e álcool, o estresse familiar e a banalização da violência, além dos flagrantes desequilíbrios ecológicos, que justificam ações de sensibilização sobre a importância do consumo consciente e dos laços das crianças com a natureza.

Neste processo educativo, a sociedade deve ensinar as crianças valores como a ética, o respeito, a moral, a solidariedade. Com o tempo, a criança que assimilar esses valores, que adquirir o conhecimento da diversidade cultural, que são imprescindíveis para a formação das pessoas, será um adulto feliz. Enfim, educar as crianças é formar o cidadão de amanhã. E para que isso aconteça, nada melhor recordar o que disse o poeta brasileiro Casimiro de Abreu (1839-1860): "Oh! que saudades que tenho, da aurora da minha vida, da minha infância querida, que os anos não trazem mais!"