Liderar é preciso! A frase não é grega, tal como foi o "navegar é preciso" contudo, os gregos tem muito a ensinar sobre liderança. Estamos acostumados com as sagas de Aquiles, Heitor, Agamenon, Teseu, Perseu, Édipo e o conhecido Hércules. Se conhecemos aqui no Brasil, os espanhóis e catalãos então, estão ali perto, tem mais acesso a fonte antiga do conceito de liderança do que nós! Sabem mais dos Espartanos do que nós sabemos sobre os indígenas heróis no Brasil.

Todavia, ao observar a saga dos Catalãos para conduzir sua nação a liberdade soberana, nota-se, que a falta de liderança pode fazer muito mal a uma sociedade democrática.

Quer dizer, nada adianta ter uma maioria ampla sob um determinado ponto de vista e não haver liderança que possa tornar prático o que até então era utópico.

Liderar é preciso! É muito necessário que as cabeças de movimentos de tamanha envergadura tenham coragem de dizer o que querem, por que querem e como querem os seus ideais. Os Catalãos já disseram o que querem, ou seja, separar da Espanha. Já disseram por vários motivos políticos, jurídicos, históricos e sociológicos por que querem separar e faltou deixar claro como querem fazer isso.

O que o povo da Catalunha quer, realmente é separar e a pergunta depende do povo, depende de uma democracia. Por que quer separar é uma pergunta que depende de uma série de fundamentos que proporcionam ao povo Catalão a possibilidade de votar a favor ou contra os argumentos.

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Restou, então, por fim, dizer como querem separar e isso, não depende do povo. Um povo não pode dizer como quer separar porque isto não depende de uma opinião democrática.

Como separar depende de um líder! Um líder tem de dizer, mediante uma pergunta espanhola se separou ou não, já, sim, estamos separados. E não voltar atrás, desdizer, mudar, tomar rumos diversos, mediar um vexame e um perigoso precedente para a economia espanhola que já prevê redução de crescimento.

Liderar é preciso, não no sentido de armar o povo, é preciso dizer, ao menos o que foi feito no Brasil, assim, um "independência ou morte". Pronto. Uma postura ética diante do desejo de seu povo.

Agora a Espanha atacou a Catalunha, primeiro pela via sancionatória, por óbvio, a prudência falou mais alto. Nada de prejudicar as pessoas das ideias e sim atacar as ideias das pessoas. Agora a Espanha começou a prender os líderes separatistas que ensaiam uma malfadada "sedição", para a lei deles uma espécie de desacato onde a pessoa manifesta-se contrária às "autoridades" de modo revolucionário.

Em todo ocaso, um projeto desta envergadura exige, ao que se espera, uma postura coerente de lideranças firmes nos seus propósitos ideológicos. É preciso acompanhar e aprender com a situação e nunca com as "lideranças" da Catalunha que receberão as consequências. Aí há falta de liderança. Diante de um Poder contrário ao que se entende justo (conforme decidiu a maioria), não pode as "lideranças" dar-se ao esmorecimento, severo desrespeito ao ato democrático.

Agora estão neste limbo, tentando justificar uma postura incoerente, quiçá, tentando mitigar a vontade da Espanha de esmagar os separatistas, ganhar tempo, o tempo que não para. A Espanha deveria retomar o Estado constitucional de sua nação. Não é nem pelo governo espanhol, é pela falta de liderança Catalã.

Liderar é preciso!