O eleitor tem acompanhado ou conhece os resultados de várias pesquisas realizadas sobre a popularidade do presidente Michel Temer. Todas elas, sem exceção, confirmam a impopularidade, a qual atingiu níveis maiores do que a antecessora, Dilma Rousseff. Um recorde.

Não é difícil de encontrar os fatores que levam a esse resultado de pouca apreciação pelo Presidente da República. Dia após dia, evidenciam-se a costura de acordos políticos feitos especialmente com o #Congresso Nacional: compra de votos, disponibilização de verbas em troca de apoio, afagos em empresários, banquetes e jantares, viagens que trazem pouco para o tamanho do problema econômico e social que o Brasil enfrenta, distribuição de ministérios para os aliados.

Passando a lupa

Ao cavar mais profundamente o buraco, percebe-se um alastramento generalizado das legendas partidárias. Na televisão, surge um Michel Temer no fundo da mesa rodeado pelos líderes dos partidos que têm representação no Poder Legislativo. Parece mais uma classe lotada de candidatos para o vestibular.

Não obstante, cobram-se muito de instituições para que ajudem alavancar a economia: busca o BNDES para incentivar a indústria, exige que os funcionários da Caixa Econômica Federal entrem mais cedo ou saiam mais tarde para distribuir as contas inativas do FGTS. Nada contra em relação a este direito da população. Por outro lado, o governo cede aos achaques e aos interesses dos parlamentares. Faz vista grossa quanto ao recebimento dos salários que ultrapassam o limite previsto na Constituição.

É bom recordar que a alardeada equiparação entre os profissionais do setor público e privado, constante na Reforma da Previdência, não abrange uma questão prática. Os trabalhadores do setor privado que contribuem sobre 30 ou 40 salários, recebem em média, R$ 1.234 de aposentadoria.

Tudo como antes

Ao ser vulnerável em relação à distribuição de benesses, o Governo Federal peca por maior firmeza, sendo que o contrário, a fraqueza é algo cotidianamente detectado até por aqueles que não possuem um nível de alfabetização alto.

No afã de se considerar um líder, Michel Temer, em sua larga experiência dentro do Congresso Nacional, pensa que tem uma grande capacidade de mover as peças do jogo. Sua articulação desagrada, apostando em nomes pouco confiáveis e exigentes em querer sempre mais benefícios.

Seu raio de visão estreitou-se ao considerar que basta apoio do Legislativo para conduzir os destinos de um país continental. Temer parece míope quanto aos seus 97% de rejeição pela sociedade.

Ele não conta que, em uma eventual reviravolta nos fatos e/ou na conjuntura política do Brasil, haja um abandono de apoio dos achacadores e seus penduricalhos.

O que denota uma fragilidade obscura, feita por fino e tênue cristal [VIDEO] – a qualquer hora pode se quebrar. O auge desse processo se traduz em uma palavra: traição.

A história mostra

O atual presidente, versado na matéria do Direito, esquece que uma das matérias auxiliadoras da advocacia é a História. [VIDEO] Alguns casos foram solucionados, revolvendo-se a pilha de papeis e se consultando livros na procura por algo que salvasse o réu/cliente.

A ditadura brasileira foi uma célebre fomentadora por mais liberdade e mais democracia, visto que suas ações repressoras e autoritárias empurraram o povo para o sentido contrário. Em 1985, acontece a retomada da liberdade e da expressão.

Outro exemplo mais distante é o da Revolução Francesa (1789-1799), ocorrida devido aos excessos e à manutenção dos privilégios da nobreza. Fora dos muros dos castelos, o povo passava fome e pagava impostos altíssimos. Apesar de sanguinária e furiosa, a Revolução permitiu a substituição por um modelo político mais próximo do povo. Exatamente o oposto do que a nobreza francesa pregava.

Desenha-se um rumo semelhante pelas atitudes e pelo estilo de governar de Michel Temer: sem saber, ele pode estar dando munição para que #Lula volte ao Palácio do Planalto em 2018. Os seus 3% facilmente desapareceriam nas pesquisas populares; um decreto tácito e expresso de sua total falta de prestígio e reconhecimento. Antes disso: Temer ignora que a sociedade deseja um líder mais conectado com os desejos desta. Para tanto, são necessários mais visão, comprometimento, dignidade e boas intenções. #Crise no Brasil