Os resultados preliminares dos desastres ambientais causados pelas passagens dos furacões Harvey, Irma e Maria, além dos incêndios florestais na Califórnia, devem ser vistos com muita coragem e franqueza por todos nós, em especial pelas autoridades que decidem os rumos das nações. Está cada vez mais claro que o atual modelo de sociedade calcado na produção desenfreada de bens de consumo (muitos descartáveis) está destruindo o Meio Ambiente, os seres vivos e o nosso planeta.

Os prejuízos, também, colocam em xeque os ganhos financeiros do atual modelo de sociedade, e é uma questão que está cada vez mais evidente e a indústria precisa levar isto a sério.

A produção de produtos descartáveis (que inundam e sujam o meio ambiente) está em oposição ao desenvolvimento sustentável. Esta relação precisa ser alterada, em prol da sustentabilidade.

Especialistas em desenvolvimento sustentável têm mostrado que os impactos nocivos desse ritmo produtivo têm elevado às temperaturas da superfície terrestre e do oceano (e acidificação deste). Os atuais (e cada vez mais frequentes) furacões também têm a ver com este quadro de economia não sustentável.

A Organização das Nações Unidas (ONU) avalia a possibilidade de que tais mudanças climáticas resultem no aumento da incidência da pobreza e das desigualdades sociais, pois estão relacionadas com a redução das atividades econômicas, a problemas alimentares, de saúde, o calor cada vez mais extremo, escassez de água, poluição do ar, bem como os diversos desastres naturais que têm ocorrido em espaço de tempo cada vez mais curto.

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Estes últimos, por exemplo, podem resultar em migração involuntária, destaca a ONU.

A agência de notícia estadunidense Democracy Now! (DN) destacou, em 13 de outubro, que o Aquecimento Global está intensificando os recentes desastres naturais, como em Houston, Miami, Porto Rico e nas Ilhas Virgens dos Estados Unidos (EUA), inclusos, também, os sucessivos incêndios florestais na Califórnia.

Os furacões deste ano, segundo a DN, bateram recordes históricos em poder de destruição e frequência. Já são dez furacões neste ano, incluindo o novo Ofélia. O furacão Harvey ceifou a vida de 82 pessoas no Golfo do México e inundou Houston, bem como contribui para a poluição do ar e da água, na medida em que atingiu as estruturas da indústria petroquímica desta cidade estadunidense.

Estima-se que serão necessários US$ 190 bilhões para a recuperação de Houston; para a recuperação da Flórida, US$ 100 bilhões. E as vidas ceifadas e desamparadas? O furacão Irma matou 134 pessoas nas Américas, das quais 90 foram ceifadas nos EUA.

O custo está alto.

O médico Joel N. Myers disse à DN: "O que não têm precedentes é que esta tormenta, em particular Irma, manteve um alto nível de intensidade por um período de tempo maior do que qualquer outro furacão ou tufão, em qualquer oceano do mundo, desde que começou a era do satélite."

Conforme noticiado, Porto Rico foi devastado e teve sua rede elétrica completamente destruída. Após três semanas, 85% do país continua sem eletricidade, cerca de 60% dos mais de três milhões de habitantes estão sem acesso à água potável, bem como dezenas de pessoas continuam desaparecidas. A população está sofrendo, também, pelo alto grau de contaminação devido às péssimas condições de saneamento.

Há que se destacar, também, os mais de 20 incêndios florestais que estão colocando várias regiões da Califórnia em cinzas e milhares de pessoas foram obrigadas a evacuar. Já ultrapassa a 20 o número de mortos no estado, bem como centenas e pessoas estão desaparecidas.

Mudanças climáticas

Para o biólogo Park Williams, do Observatório da Terra Lamont-Doherty (Universidade de Columbia), tem sido possível calcular que a superfície queimada tem a ver com as mudanças climáticas, em função das ações dos homens. "Achamos que cerca da metade de área de floresta no Oeste dos EUA que foi queimada nos últimos 35 anos é atribuível a essa tendência de aquecimento. E essa metade é muito grande; é uma superfície do tamanho de Massachusetts e Connecticut combinadas".

Ele disse, ainda à DN que os conceitos aquecimento global e mudanças climáticas são ignorados pela mídia por questões políticas. "Mas nos círculos em que trabalho, com climatologistas reais trabalhando nessas questões diariamente, não há dúvida em usar esses termos. À medida que os gases de efeito estufa são liberados para a atmosfera, o mundo aquece; seja a Terra ou outro planeta. Tais são as leis da física. Portanto, é surpreendente ver na televisão os meteorologistas treinados que evitam usar esses termos", explicou Williams.

Sobre a decisão da administração Trump de retirar os EUA do Acordo de Paris, a DN destacou que o diretor da Agência de Proteção Ambiental, Scott Pruitt, baixou uma ordem para rescindir o Plano de Energia Limpa do ex-presidente Barack Obama, que tinha limitado as emissões poluidoras das centrais elétricas. Disse Pruitt, na oportunidade: "A guerra contra o carbono terminou".

Para os jornalistas Amy Goodman e Denis Moynihan, "as mentiras do governo Trump sobre mudanças climáticas estão gerando impactos reais hoje. E o que é mais devastador, praticamente garante um futuro de tormentos em função dos desastres cada vez mais mortais".

Cabe destacar que mudanças climáticas, aquecimento global, Acordo de Paris, entre outros temas conexos, serão tratados no encontro "Diálogo Estratégico sobre Mudança do Clima, Erradicação da Pobreza e Desenvolvimento Humano", na Casa da ONU, em Brasília, em 26 de outubro. Será uma ótima oportunidade dos brasileiros estarem atentos e debaterem questões sobre o clima. Vamos relatar sobre este encontro.