Cuidado: o seu lado #profissional e o seu lado pessoal estão unidos ou separados? Como é sua postura no local de #Trabalho? Desde cedo quando você começa a trabalhar as pessoas já o aconselham a deixar seus problemas na porta da empresa. Lá dentro apenas o seu lado profissional pode existir.

Será realmente possível o lado pessoal ser anulado para que apenas o lado profissional permaneça durante 8 horas do dia, 5 dias da semana, e mais de 250 dias por ano? É possível coabitar o profissional com o pessoal?

Para muitos especialistas, isso é uma luta que frustra uma gama de profissionais. Essa idealização corporativa emerge comportamentos animais de pura agressão, pois o lado humano é esquecido em favor do profissional.

A melhor forma de implantar a ideia que somos uma máquina no trabalho é deixar esta mensagem: o lado profissional é o que conta no ambiente de trabalho.

O lado profissional

A idealização da racionalidade do final do século XIX impôs a todos um ritmo frenético de trabalho, sem emoções, sem o eu, apenas o conhecimento, a experiência e o corpo como componentes na estrutura da empresa. Uma boa companhia eliminava as reações humanas como medo, amor, frustração e focava em resultados de mercado.

O lado profissional em detrimento do pessoal permite abusos das empresas para com o funcionário e do funcionário para com os outros funcionários. Um ambiente onde as tarefas de trabalho devem ser cumpridas custe o que custar geram:

  • horas exaustivas de trabalho
  • agressões verbais
  • tarefas ininteligíveis
  • desrespeito social e cívico

O lado profissional dentro da empresa e o lado pessoal fora autorizam que o ser humano seja visto como uma peça.

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Quando defeituosa, pode ser trocada facilmente, pois existem milhões de peças lá fora.

Histórias de desrespeito no ambiente de trabalho são inúmeras: o tratamento hostil de chefes e colaboradores, as exigências que se assomam ultrapassam a realidade e profissionais se veem incapazes e frustrados por não conseguirem cumprir as demandas. Ao entrarem no local de trabalho não se percebem como pessoas, exigem de si e do outro o que está além da capacidade humana.

Quantas pessoas já não choraram no banheiro do escritório como desabafo para respirar e enfrentar o dia. Quantas não se utilizam de subterfúgios como vitaminas e energéticos. Alguns misturam café, Coca-Cola, chocolates, e outros usam até mesmo cocaína para fornecer a energia necessária para finalizar as tarefas.

Essa ideia de deixar o lado pessoal fora da organização faz com que você valorize filosofias como estas:

  • eu não posso sair hoje vou trabalhar até mais tarde;
  • estou atarefado de coisas do trabalho;
  • preciso ver minha agenda para saber se terei como ir, estou cheio de projetos do trabalho;
  • fiquei até às 10 da noite trabalhando ontem;
  • virei meu fim de semana no trabalho.

Na verdade, não conhecemos o outro da mesa ao lado.

Fica-se cinco anos numa empresa e ao sair, você não tem na sua agenda pessoal o telefone de ninguém. Cinco anos sem saber o que é importante para um colega de trabalho. Sem perceber sua vida, problemas e felicidades. Cinco anos sem construir relacionamentos reais, pois o elo é somente de labutar. Quando se rompe esse vínculo de trabalho as pessoas desaparecem da sua vida.

As festas de final de ano nas empresas são momentos de grandes revelações pessoais. Pessoas que você nunca viu sorrir, nem contar uma piada de repente estão mais relaxadas. Você descobre hobbies em comum com colegas, até dificuldades de cumprir tarefas no trabalho que só você achava que tinha, mas essa interação só acontece algumas vezes ao ano.

O lado profissional das sextas-feiras

O lado profissional que anula o lado pessoal deve ser a filosofia de trabalho das empresas que têm como clientes exatamente as pessoas? Pense!

Por que será que celebramos tanto as sextas-feiras? Existem milhares de memes na internet que mostram pessoas a festejar a chegada da sexta-feira. Isso significa uma coisa: acabou a semana de trabalho. Agora você pode ser você mesmo e fazer o que o gosta.

O trabalho está impregnado de uma visão negativa, pois se comemora o fim dele na sexta-feira. E não acaba aí, a segunda-feira é vista com maus olhares e dissabores. Você sabe bem o porquê. É a volta ao trabalho, lá você não será você mesmo.

A sexta-feira é como um grito de liberdade, que fica sufocado durante toda semana, e a segunda-feira engole esse grito novamente. Um círculo por toda vida. Feliz na sexta e triste na segunda.

Essa estrutura de trabalho está fadada ao fracasso, na verdade é um fracasso toda empresa que acredita que a vida pessoal do funcionário não importa. É uma grande ilusão achar que as pessoas conseguem separar plenamente o lado profissional e o lado pessoal.

Quando um colaborador pode ser ele mesmo no desempenho de suas funções sua dedicação é potencializada e flui autenticidade na realização da sua tarefa. Tratar o outro como ele é, sem querer anular sua singularidade e humanidade é o que vai diferenciar empresas realizadoras, ou seja, pessoas que produzem para pessoas.