Atualmente há razões para que o ser humano esteja cada vez mais preocupado consigo mesmo e menos com o outro. O mundo já não estar mais convidativo, hospitaleiro e acolhedor. Um mundo hostil, traiçoeiro, que respira vingança, parece imperar. O diálogo está dando lugar à indiferença. Quando há, a interação social torna-se mera formalidade. O credo de Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844-1900): “O outro é meu inimigo”, nunca esteve tão atual. No entanto, contrariando o filósofo, podemos afirmar que: “O outro não é meu inimigo”.

A lógica de que “o outro é meu inimigo” está voltada para o desenvolvimento de uma política de relações mínimas, ou seja, “quanto menos contato com o outro, melhor”.

No entanto, os estudos sociológicos afirmam que o ser humano é um ser de relações. Ou seja, são as relações sociais que nos fazem humanos propriamente ditos. Quanto mais intensas forem as relações sociais, mais verdadeiros são os homens em suas histórias.

Por outro lado, há razões válidas para supor que o “outro é o meu inimigo”. Por exemplo, quem hoje em dia, em um país europeu ou nos Estados Unidos, seja morador ou turista, se sente totalmente seguro? Com essa onda de terrorismo espalhado pelo mundo, qualquer pessoa pode ser um alvo em potencial, e, consequentemente, “meu inimigo”. No entanto, pensa-se que os povos precisam aprender acolher o forasteiro, o turista. Afinal de contas, somos todos passageiros nessa vida.

No entanto, na direção atual, é difícil de delinear com clareza o que vai acontecer com a espécie humana.

Os melhores vídeos do dia

Será que as futuras gerações repetirão esses comportamentos virulentos e hostis? Será que os homens continuarão desconfiando um dos outros, sem aprofundar as relações? Será que a ética terá vez num mundo de solitários? Qual será o papel da família nesse processo? Paradoxalmente, o mundo clama por relações humanas sinceras e saudáveis.

Dessa forma, num mundo inseguro, segurança é o nome do jogo. Segurança é o propósito principal do esporte e seu objetivo supremo. É um valor que na prática, se não na teoria, diminui e põe para fora todos os outros valores. Não obstante, a verdade é que nós não podemos defender nossas liberdades, efetivamente trancados em nossas casas, colocando uma cerca elétrica entre nós e o resto do mundo e nos atendo apenas em nossos assuntos domésticos.

Com efeito, a maioria concorda que as grandes mudanças devem começar por pequenos atos. Todos, nesse momento histórico, parecem estar reconciliados com a impossibilidade de grandes transformações. No entanto, não se deve abster de abraçar causas coletivas e universais.

Ou seja, não se pode perder de vista as utopias, principalmente os jovens. Caso isso aconteça, o medo terá vencido a esperança e sabe-se que a liberdade democrática não pode sobreviver muito tempo a passividade dos cidadãos.

Enfim, o que se apresenta para nós foi profeticamente colocado no papel por Franz Kafka (1883-1924): “Se você não encontrar nada nos corredores, abra as portas; se você não encontrar nada atrás dessas portas, há outros andares; e se você nada encontrar lá em cima, não se preocupe, simplesmente salte para outro lance. Se você não parar de subir, as escadas jamais terminarão; sob seus pés escaladores, elas continuarão a se desdobrar para cima”.