Uma série de caráter antológico, isto é, uma coletânea de diversos “curtas”, que não faz convite ao telespectador (leitor). Não o pega no colo para expor a trama ensaiada, muito ao contrário. Esta série expõe o leitor a suas próprias verdades e limites como uma facada no peito, não é gentil ou recíproca. Black Mirror, uma das mais faladas séries da Netflix, vira, mexe, e incomoda o leitor com sua trama, causando, portanto, o próprio estranhamento no olhar quando este leitor se vê retratado no espelho fictício televisivo da série, honrando assim o seu próprio título.

Qual é esse "Espelho Negro"?

Em outras palavras, seria conveniente retomar aqui a explicação do criador da série Charlie Brooker, a respeito do título da série ao jornal The Guardian, em que o criador diz que se caso a tecnologia é uma droga, precisaríamos refletir sobre os seus efeitos colaterais, e esse é o campo entre o prazer e o desconforto de Black Mirror, a série do "Espelho Negro" que pelo título remete aos eletrônicos que você encontra em cada cômodo da sua casa, ou na palma de sua mão, a fria e brilhante tela de um monitor, TV ou smartphone.

Dessa forma, temos além de outros pontos tecnológicos futuristas, o próprio celular como meio de controle (e representação/avaliação) social, entre outros lados apresentados na série. Tratando assim da temática que podemos notar em cada episódio que assistimos, basicamente pela situação de causa x consequência para os avanços representados.

Salientando assim os nossos limites e lugares como indivíduos sociais diante ao poderoso reflexo que temos em mãos, abordando o celular, onde somos juízes, especialistas, doutores, escritores, e além de tudo alienados.

Tendo também a alienação social como outro grande pilar desta temática, conseguimos avaliar nesta representação mimética o quão vago é o questionamento humano, enquanto massa. As máscaras e facetas que um mesmo homem esconde para se ressignificar à cada situação de convívio social.

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Logo, com uma população vazia e evasiva dá-se (ou se é consumado) o controle social.

Além de outros tantos pontos que poderíamos destacar desta incrível série que tive o prazer de assistir, acredito que seja muito mais necessário direcionar o teledetectador para algo que já está em primeiro plano desta ficção. Black Mirror é uma série que, além de ser acompanhada e assistida, deve, acima de tudo, ser questionada, refletida, e incômoda ao prezado espectador. Por fim, uma obra que poderá conscientizar, ou ao menos tocar em diversos tabus da grande mídia, portanto, aproveitem!