Depois da polêmica envolvendo a Polengui, responsável pela marca de queijos Polenguinho, chegou a vez da Santher lidar com as críticas à sua nova campanha para a marca de papéis higiênicos Personal.

Na semana passada, a Polenguinho publicou nas redes sociais uma imagem que fazia referência ao álbum ''The Dark Side of The Moon'', da banda de rock progressivo Pink Floyd [VIDEO]. As sete cores do arco-íris presentes na capa do icônico álbum do grupo britânico foram interpretadas como uma campanha de apoio à causa LGBT e gerou revolta entre grupos de internautas. A Polengui esclareceu o conceito de sua campanha, deixando claro, porém, que respeitava a causa LGBT.

Já com a Santher, o buraco é um pouco mais embaixo. Enquanto a Polengui foi criticada por promover apoio à uma minoria, a Santher lida com acusações de racismo por sua hashtag para a campanha da linha Personal de papéis higiênicos pretos, os primeiros deste tipo a serem comercializados no Brasil.

Deixando de lado a pergunta que não quer calar, que seria justamente para quê os usuários necessitam de um papel higiênico preto, a campanha, que tem como garota-#propaganda a atriz Marina Ruy Barbosa, vem sendo divulgada com auxílio da hashtag #BlackIsBeautiful.

A campanha é da agência de publicidade Neogama e se propõe a mostrar a nova cor de papel higiênico como um símbolo de requinte e sofisticação. O grande problema é que a frase ''Black is beautiful'' - ou ''Preto é bonito, em tradução livre'', já foi um slogan do movimento negro na luta contra a opressão, a discriminação e até mesmo genocídio da população negra.

A expressão era bastante popular durante as lutas pelos Direitos Civis da década de 60, nos Estados Unidos, e foi utilizada por personalidades como Nina Simone, para exaltar a beleza do povo negro e como forma de empoderamento frente ao racismo.

''Pessoas morreram e continuam morrendo até hoje para que esta expressão fosse reverenciada'', escreveu o escritor Anderson França, que está contra a campanha. ''Hoje, esta expressão é mais vital do que nunca'', concluiu.

No Twitter, um internauta também manisfestou sua indignação com o uso da hashtag; ''Close errado de hoje: marca famosa usando nome de movimento contra o racismo em campanha de papel higiênico.''

Outros usuários do microblog também falaram a respeito da campanha em seus tweets:

Por essa razão, a campanha da Personal tem sido vista com maus olhos, uma vez que vivemos em um país de maioria negra que ainda ignora a juventude negra e que constantemente trata a mulher negra como objeto sexual, de forma que o racismo, ainda que velado, ainda está sempre presente em nossa sociedade.

Grande parte dos internautas, porém, considera a polêmica desnecessária; há quem acredite que a marca está sendo acusada de racismo [VIDEO] apenas por causa da cor do produto, ou da escolha da garota-propaganda.

E você, o que pensa a respeito deste assunto?

Deixe sua opinião nos comentários. #Preconceito #marketing