Em nome da paz social, alguém tolera o outro, mas não aceita seu ser, seu pensamento, sua religião. O outro é apenas tolerado, não há respeito por ele.

Quando os indivíduos se aceitam, há harmonia social, respeito mútuo apesar das diferenças existentes entre os indivíduos.

Na tolerância há uma negatividade latente que pode resultar em #intolerância quando o acordo que o indivíduo faz consigo mesmo ou com seus pares se rompe. Digo acordo porque a tolerância é resultado de uma tática acordada entre o indivíduo e ele mesmo ou entre os membros de um grupo visando a paz social, e paz é sempre o tempo entre duas guerras. Todo acordo pode ser rompido.

A aceitação, por outro lado, exala positividade. Não é resultado de um acordo, é resultado de uma dinâmica social, de um processo que se inicia na família e prossegue na escola, amparado por políticas públicas garantidoras não só da paz social, mas de sua harmonia.

À tolerância o medo está sempre presente: da parte do tolerante, o medo do outro rebelar-se; da parte do tolerado o medo de ser agredido.

Quem tolera assume uma posição superior em relação ao tolerado. Quem aceita o outro estabelece com ele uma relação de igualdade.

Quando se aceita o outro a única base a ser considerada é que o outro é membro da espécie humana. Ao aceitar o outro, não se aceita automaticamente suas ideias, posição política, sua religião; aceita-se seu direito de tê-las e expressá-las. Quanto à cor da pele, esta é inerente ao ser biológico homem, não tendo nada a ver com sua capacidade mental e/ou com sua disposição comportamental.

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Não aceitar indivíduos de cor diferente da minha é um absurdo e contraditório: é como não se aceitar como ser humano.

As pessoas nascem em determinadas culturas, nascem em famílias com essa ou aquela religião, etc. Quando uma criança é adotada, apesar de nascida num determinado contexto, será educada num outro, talvez bem divergente de seu berço original. Nenhuma cultura é "a cultura", nenhuma religião é "a religião".

O humano só foi possível graças à percepção do outro como parceiro, como corresponsável pelo grupo. A cooperação entre os indivíduos contribuiu muito mais para a evolução humano do que ações de indivíduos isolados, isso não quer dizer que o trabalho individual seja desimportante, pelo contrário, as ideias nascem em cabeças individuais, mas para sua execução, na maioria das vezes, são necessárias várias pessoas. E a ideia não nasce de geração espontânea: ela é resultado de conhecimento, de ideias produzidas por gerações e mais gerações anteriores: é, portanto, uma cooperação entre o indivíduo e essas gerações.

Para cooperar é necessário aceitar o outro com quem se deseja cooperar. Aceitar o outro é essencial para a sobrevivência humana.

Então, finalizando, vamos banir a tolerância de nossas vidas!

Peraí! Não é bem assim. É melhor contar com a tolerância, acreditando que possa se transformar em aceitação, do que se submeter à intolerância. A tolerância é tolerável. Já a intolerância [VIDEO] é totalmente intolerável. #Atitudes #Direitos Humanos