Os mercados de drogas estão espalhados por quase todos os países do globo. Os lucros em todos esses lugares são enormes. No entanto, há aqueles onde há violência ligada à venda e consumo de drogas ilícitas é maior. Em outros, esses índices são altíssimos. Para José Luiz Ratton, sociólogo, professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e especialista em Segurança Pública, isso decorre do modo como o Estado interfere nesse comércio.

De acordo com Ratton, os lugares onde a Polícia ou a justiça tentam intervir de forma muito direta são mais violentos, a exemplo do Brasil. Por outro lado, em nações como a Alemanha, Inglaterra, Canadá, nas quais o comércio é tão ou mais lucrativo do que o brasileiro, os números da violência são baixos.

O que decorre da baixa interferência da justiça e das polícias locais. "Do ponto de vista geral, o Estado é incapaz de lidar com mercados ilegais de drogas. É mais inteligente tornar esse um problema secundário e abordá-lo de uma outra forma", defende.

"A atuação policial sobre o mercado de drogas realimenta a violência. Ela precisa estar voltada para a proteção da vida das pessoas, independente de isso ocorrer no mercado de drogas ou fora dele", enfatiza Luiz Ratton. O Estado deve entrar no universo da venda e consumo de drogas somente quando existe ameaça aos cidadãos e cidadãs.

Dessa forma, tendo em vista que estamos falando de atividade baseada em lucros, semelhante a qualquer outro negócio capitalista, a justiça e a polícia sinalizam aos negociantes que seus ganhos podem ficar prejudicados quando se tortura e se mata pessoas.

"É muito mais inteligente que o Estado imponha custos para a atividade violenta dos mercados de drogas, sem necessariamente lidar com a regulação do varejo", reforça.

Violência generalizada

Para Ratton, a violência precisa se tornar uma questão central e prioritária. "Um país que tem quase 60 mil pessoas assassinadas por ano não pode se dar ao luxo de não tratar isso como relevante", diz. Para isso, é preciso abordar a questão por meio de políticas públicas que reúnam ferramentas de prevenção social do crime e da violência, a curto, médio e longo prazo. "Uma prevenção geral, que diminua as chances de ocorrência da violência para todos, mas também prevenção específica que estabeleça mecanismos de proteção para grupos mais vulneráveis, como mulheres, jovens, populações LGBT, idosos", sugere.