"Liga da Justiça" estreou nesta quinta-feira (16) com a missão de ser melhor que "Batman versus Superman" e conseguiu isso. "BvS" se apresenta para o público como uma espécie de "Liga da Justiça Zero" justamente por trazer a primeira aparição da Trindade da DC aos cinemas.

A visão do diretor Zack Snyder para criar um mundo diferente do proposto pela Marvel foi a de dar a esse novo universo um aspecto noir, especialmente porque nessa visão Batman, o Cavaleiro das Trevas, é o único herói conhecido até então e o Superman é uma incógnita que paira entre a ameaça do invasor alienígena e a esperança a ser consolidada. Embora muito criticada, a proposta do clima dark é lógica, já que o título é "Batman versus Superman" e não o contrário.

O diretor Zack Snyder mantém essa lógica em "Liga da Justiça", já que Batman é o líder da equipe. Mas isso ainda não funciona bem e deixa o espectador com a opinião de que o filme poderia ser melhor. A opção por um universo DC sombrio torna o filme muito escuro, prejudicando o ajuste feito para que o humor dos personagens tornasse o clima mais leve.

As pequenas piadas, embora funcionem bem em quase todos os momentos, acabam por desaparecer na tensão visual do filme. Seria essa a hora ideal para aproveitar um pouco mais da leveza de Mulher Maravilha, mas a heroína não tem o destaque que se esperava. Nem o ritmo bem cadenciado entre ação e suspense faz isso acontecer.

Em termos visuais, outro pecado cometido está na computação gráfica. O CGI do rosto do Lobo da Estepe está péssimo! Simplesmente não convence que estamos olhando para um personagem real.

A produção do filme deveria ter optado por usar maquiagem ao invés de captação de movimentos ou então contratar a empresa que faz o CGI do Hulk, a Lucas Arts.

O vilão só tem falas clichês, totalmente descartáveis. A dominação do mundo não tem lógica aceitável e não se torna mais que uma trama de vingança. Não se explica bem o porquê de levar o ponto de entrada dos invasores para o meio do mato, no interior da Rússia. Fica no ar que o motivo de fazer isso é para evitar novas críticas de destruição de cidades e mortes excessivas de pessoas, como ocorreu em "Homem de Aço".

Embora a batalha no deserto russo seja bem elaborada, perde o contexto de invasão ameaçadora, especialmente porque não há sequer um militar participando do evento. Tudo no filme acaba girando em torno da explicação da função das caixas maternas, objeto crucial para trazer à vida o personagem Ciborgue e... o Superman.

A história em torno de construir a Liga da Justiça até funciona bem. Os heróis se comunicam, interagem e atuam fluidamente nessa parceria.

O Ciborgue é o elo fraco, sem carisma nenhum e não há qualquer dúvida de que ele venha ser parte do momento crucial do longa. O uniforme do Batman e suas ações estão boas e Ben Affleck está melhor e menos psicótico, convencendo mais como a nova cara do Morcegão.

Gal Gadot ainda vacila como atriz, mas se mantém como boa escolha para ser a Mulher Maravilha [VIDEO]. Pertencem a ela os melhores momentos de luta. O Flash deveria ser melhor, mas está apenas no mesmo nível do Flash da série. Embora se consolide como fundamental para o retorno do Superman, ainda precisa evoluir em carisma para tomar o posto de verdadeiro Barry Allen.

A proposta de usar um Aquaman brutão é melhor que fazer uso da figura do "cara que fala com peixes" e isso é uma evolução. Mas no fundo é apenas Jason Momoa sendo Jason Momoa, com muitas tatuagens.

Para os fãs dos Quadrinhos, falta algo crucial em se tratando da saga "A Morte do Superman". A produção deveria ter usado o uniforme preto do Superman, com aquele Clark Kent barbudo e cabeludo. Seria plausível, já que ele não está morto, está apenas em coma.

Mas novamente é o tom escuro do filme que impede isso. Para efeitos de contraste, foi necessário usar o uniforme azul para trazer um pouco de cor ao longa e perdeu-se a chance até de colocar um Superman debilitado em cena, carente dos poderes do sol depois de tanto tempo numa tumba.

Como resumo, nota-se mesmo que essa fórmula sombria da DC não está dando certo. É uma ideia boa, que pôde ser positiva no início, mas já é hora de se aproveitar mais do clima de esperança e da tonalidade brilhante inserida em "Homem de Aço". O recado para a Warner Bros. e para a DC Films é: deixem o tom sombrio só para o Batman. É lá que isso funciona bem.