A mais recente produção da Warner/DC reúne alguns dos maiores heróis da famosa editora norte-americana DC Comics. O filme ‘’Liga da Justiça’’ estreou nesta quarta-feira (15) em uma clara estratégia de aproveitar o feriado nacional para alavancar a bilheteria da produção, já que as estreias no Brasil costumam ser as quintas-feiras.

O filme do diretor Zack Snyder inicia com uma sequência de ação ambientada na sombria Gotham City, com o personagem Batman em seu habitat natural. Este tipo de ambientação dark parece ser uma das preferências do diretor. Snyder, ao optar por um clima noir, meio que faz uma homenagem ao clima sombrio do personagem que é visto nos quadrinhos.

O diretor opta por ângulos de câmera típicos das HQs e também por colocar em cena a movimentação do personagem que faz com que sua capa se abra e fique com o formato das asas de um morcego. Esta é uma marca registrada do homem-morcego, que funciona perfeitamente nos quadrinhos e animações. Mas se usado exaustivamente em uma produção livre action, acaba por ficar repetitiva e não produz o impacto visual desejado.

Para conseguir este efeito e também para que as coreografias de luta bem próximas do que é visto nas histórias em quadrinhos, Zack Snyder opta pelo uso de computação gráfica, em quantidades cavalares.

Esta é uma das marcas registradas do diretor, o seu apreço por reproduzir fielmente a estética dos quadrinhos. Snyder também é fã de contar uma história por meio de imagens, e para isso faz uso de simbolismos.

Mas o problema do diretor é usar estes recursos de maneira exagerada e acaba por cansar o espectador.

Não é diferente neste ‘’Liga da Justiça ’, em que, para mostrar o quão caótico o mundo está por causa da morte do Superman, é visto cenas de tumultos que são contidos pela polícia, e tome cenas de laranjas caindo em câmera lenta.

O filme sofre de uma espécie de crise de identidade. Durante toda a história há uma clara indefinição de qual caminho a trama deve seguir, se vai pelo caminho do drama, ou segue em um tom mais leve. Isso deve-se ao fato de que Zack Snyder teve que abandonar este trabalho antes de seu término, entrando em seu lugar Joss Whedon, diretor de ‘’Os Vingadores’’, da rival Marvel Studios.

Na trama, o Flash (Ezra Miller [VIDEO]) tem a intenção de ser o alívio cômico, apesar de o personagem passar o filme todo fazendo piadas, nenhuma delas tem graça. Incomoda também o fato de que a forma como o personagem é retratado lembra demais o Homem-Aranha no filme ‘’Capitão-América - Guerra Civil’’.

Por incrível que pareça, é o Batman que faz a piada mais engraçada do filme.

Ben Affleck não chega a comprometer, mas quase sai do tom com seu Bruce Wayne charmoso e bem-humorado, ainda no universo do Cavaleiro das Trevas, o ótimo J.K. Simmons aparece com uma peruca estranhíssima interpretando o comissário Gordon, que estava mais para J. Jonah Jameson.

Jason Momoa como Aquaman é provavelmente uma das piores escolhas para interpretar um personagem dos quadrinhos. Momoa é acompanhado no quesito falta de carisma pelo ator Ray Fischer. É bem verdade que não foi culpa do ator a caracterização do personagem com o corpo (mal) feito por computação gráfica.

Parece ser impossível uma cena em que Gal Gadot não esteja ótima como Mulher-Maravilha/Diana Prince. Também rouba a cena a atriz Amy Adams ao interpretar uma Lois Lane ainda sofrendo pela morte do Superman.

No final das contas, ‘’Liga da Justiça’’ é um bom filme, apesar dos mesmos velhos problemas encontrados nos filmes de Zack Snyder. Como dito anteriormente o filme transita entre o humor e o drama de forma irregular, mas, apesar disso, a trama é coerente, com um ou outro deslize, como, por exemplo, a forma como o vilão foi derrotado, que ficou meio boba.

E o filme também tem a praga que assola todos os filmes de super-heróis, os finais extras. Como se já não fosse suficiente um, agora são dois finais extras que estas produções apresentam! No primeiro, mais uma vez o Flash tenta sem sucesso fazer graça e no segundo, que tem certa relevância, aparecem alguns dos vilões do próximo filme.