No final do ano de 2014 veio à tona um assunto polêmico, a pílula do câncer, também conhecida como fosfoetanolamina sintética. O produto foi descoberto há mais de 70 anos, porém foi no Brasil que o químico analítico Gilberto Chierice, hoje aposentado, conseguiu atingir uma pureza de seu cristal de quase 98%.

Alguns devem estar se perguntando: mas o que despertou o professor Gilberto a pesquisar uma substância que já existe há diversos anos na literatura química? A história é bem simples e foi contada pelo próprio pesquisador em diversos seminários que participou. O professor [VIDEO]afirma que um aluno o procurou com um artigo científico de 1970, aonde chegaram a conclusão que a fosfoetanolamina era produzida pelo próprio tumor, tendo em vista que todas as células tumorais possuíam em sua volta a substância.

Neste mesmo período, ele estava desenvolvendo a substância polímero de mamona, hoje utilizada no mundo todo, inclusive aprovada pelo FDA (equivalente a Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária - no Brasil). O polímero é capaz de, após aplicado, ser substituído por células ósseas, resolvendo problemas como artrite, artrose e outras doenças relacionadas ao osso humano. Gilberto Chierice foi eleito o 46º melhor químico pela revista Superinteressante por tal descoberta.

Para chegar na síntese perfeita do polímero, ele estava pesquisando outras substâncias. Ao ficar sabendo que possivelmente a fosfoetanolamina era originária do câncer, ele ficou intrigado, pois já havia estudado os elementos do leite materno e verificou que havia grande concentração de fosfoetanolamina.

Depois de anos de estudos e artigos científicos publicados, o professor chegou à conclusão que a fosfoetanolamina presente em tumores não eram originários deles e sim o organismo humano tentando o combater.

Dois pesquisadores procuraram o professor Gilberto Chierice na USP para serem orientados e começaram a estudarem a fosfoetanolamina desenvolvida na universidade e então concluírem seus trabalhos de doutorado. Eram eles, o médico Renato Meneguelo e o biólogo Marcos Vinícius.

Uma das premissas do professor era que a #fosfoetanolamina sintética desenvolvida por ele chegasse a todos por um valor acessível e foi dado início ao segundo teste clínico este ano, tendo em vista que o primeiro foi iniciado em 1995 no Hospital Amaral Carvalho e os dados clínicos desapareceram.

Com o início dos testes clínicos no Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo), no início de 2017, tanto Marcos Vinícius quanto Renato Meneguelo resolveram desenvolver sua própria síntese e lançar como suplemento no exterior. De acordo com a lei 5.991/73, toda e qualquer substância com alegações terapêuticas (cura/melhora) deve ser considerada medicamento e precisa de registro para ser comercializada e produzida.

Com isso, devido aos mais de 20 artigos científicos provando a função terapêutica da fosfoetanolamina desenvolvida pelo professor Gilberto Chierice, se torna impossível aprovar a sua síntese como suplemento.

Em meados de 2017, vários suplementos foram lançados e são vendidos livremente nas redes sociais utilizando como principal propaganda para angariar pacientes desesperados as ações terapêuticas do único medicamento que ainda está em teste clínico, a fosfoetanolamina desenvolvida na USP (Universidade de São Paulo).

O grande problema é que pacientes estão comprando suplementos e sendo enganados por seus revendedores. Acabam acreditando que tais suplementos são iguais ao medicamento desenvolvido na USP, com mais de 20 anos de estudos, descredibilizando então a substância desenvolvida na universidade.

Os suplementos não passam por testes, se tornando impossível seus revendedores afirmarem alguma ação terapêutica, inclusive no FDA é apenas necessário informar o endereço de onde é produzido para uma possível vistoria do local de produção, caso seja necessário. O registro é feito online.

No mesmo período, o professor Gilberto Chierice lançou uma nota, através do Instituto Viva #fosfo, informando que jamais ensinou a síntese para seus alunos ou orientados. #piluladocancer