Em revisão da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a equipe de Mendonça Filho (DEM-PE), à frente do Ministério da #Educação (#MEC), retirou pelo menos dez trechos mencionando #Gênero e orientação sexual do texto final, segundo noticiou o jornal Folha de S. Paulo nessa quarta-feira, dia 6 de dezembro.

O documento, que vem sendo debatido desde setembro de 2015 e ainda não divulgado pelo MEC, foi encaminhado ao Conselho Nacional de Educação (CNE). O texto chegou a sua terceira versão em abril, quando o ministério, depois de declarar que manteria questões de gênero, voltou atrás e suprimiu três citações sobre identidade de gênero e orientação sexual da BNCC.

Agora, novamente após reiteração por parte do secretário de Educação Básica [VIDEO], Rossieli Soares da Silva, de que questões de gênero seriam mantidas na Base, a equipe age de forma contrária, restringindo o debate sobre gênero e sexualidade ao ensino religioso. Na introdução e nas demais áreas de ensino, por sua vez, não há mais indicações sobre o tema em questão. A reunião do CNE para se discutir a versão definitiva do documento está prevista para acontecer nesta quinta-feira, dia 7.

Ao suprimir questões sobre gênero da BNCC, adotando expressões generalizantes como "estereótipos e preconceitos de qualquer natureza", a equipe do MEC possibilita que problemas como a violência contra mulheres, a gravidez na adolescência, o machismo, a transfobia e a homofobia continuem a passar batido pelo currículo escolar, não sendo abordados de maneira adequada e a partir de suas especificidades.

A disposição do governo de Michel Temer para ceder à bancada evangélica, que forma grande parte de sua base apoiadora, não é novidade, mas a maneira como religiosos e conservadores têm afetado o ensino é preocupante, principalmente quando levamos em consideração a cruzada contra a ideologia de gênero [VIDEO].

Ignorando os pareceres de especialistas, pesquisadores e educadores, o MEC se encaminha a uma direção totalmente oposta daquela adotada pelos melhores sistemas educacionais do mundo, que têm cada vez mais se empenhado em inserir os debates de gênero e educação em diversas instâncias pedagógicas.

Na Suécia, por exemplo, a adoção de uma pedagogia voltada para a neutralidade de gênero pelo menos desde 2011 tornou-se uma estratégia importante para combater o machismo e a violência contra mulheres, que apresenta altos índices no país, apesar de haver maior igualdade de gêneros a nível político, legal e econômico.