Prazer!

Eu sou a filha que não deu certo, a irmã que não deu certo, a prima que não deu certo, a sobrinha que não deu certo, a afilhada que não deu certo, a amiga que não deu certo, a professora que não deu certo, a pessoa que não deu certo.

Eu sou aquela que desenvolveu seus traumas e abandonou uma carreira. Carreira essa que já não era motivo de orgulho. Professora? Por que não engenheira, dentista, publicitária ou jornalista?

Ah, não quer mais dar aulas? Depressão? Síndrome de Burnout? Que frescura! Não quer mais é trabalhar.

Agora trabalha em casa? Faz nada! Fica à toa! Procure um emprego de verdade!

E, embora saiba de tudo isso, embora veja ou sinta a reprovação da grande maioria das pessoas, eu ainda acredito que as coisas possam mudar.

Que as coisas possam melhorar.

Aos 40 anos ainda sou uma sonhadora.

Se vai dar certo? Não sei. Mas é essa fé que me mantém viva, lutando, acreditando...

Eu sinto muito por não ser aquela por quem se orgulhar. Aquela que as pessoas mostram foto dizendo: "É minha amiga! Acredita?".

Mas nesta vida, provavelmente, a sina era essa mesma. A de ser apenas mais uma. Ou aquela que não deu certo.

Estou me fazendo de coitada? Então, talvez! Mas se é assim que me sinto agora, e se o texto é meu, o espaço é meu, as palavras são minhas, não tenho por que deixar tudo guardado dentro de mim. Como se não bastasse o meu imenso tamanho no momento, ainda ter de abrigar essa gorda frustrada.

Que pelo menos alguém leia isso.

Não sei se ainda há tempo para realizar sonhos. Afinal de contas, tenho 40 anos. Mas a fé ainda existe e ela caminha ao lado da frustração.

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Ambas, uma tentando derrubar a outra. Todos os dias. Toda hora. A cada minuto.

Chega! Escrevi o que tinha para escrever.

E fico tranquila por saber que esse sentimento saiu de dentro de mim (não que esteja livre dele) para um universo gigantesco chamado internet. Quem sabe esse texto seja lido por pessoas que se sintam como eu, e vejam que não estão sozinhas. Que existem outras pessoas assim como elas. E, quem sabe, até vejam graça nisso, como eu estou começando a ver neste momento em que escrevo. Sim, porque ser parte das pessoas que não deu certo faz de mim diferente, e ser diferente é muito legal!

E o que não posso deixar de lado neste texto, de forma alguma, é que um dos motivos de manter a minha fé é a minha companheira. (Sim, além de ser tudo aquilo lá em cima que não deu certo ainda fiz o favor de ser a filha/irmã/prima/sobrinha/afilhada/etc 'sapatão'). É ela quem me faz acreditar que as coisas vão melhorar! Sabe por quê? Porque nós merecemos isso! #depressão #sindromedeburnout #LGBT