Ler é a única atividade física que não tem contraindicação. A leitura serve para crianças e adultos em qualquer idade e condição social. É a forma mais democrática de ascensão social. Quem lê é mais, aprende mais, sabe mais, vive mais.

Dessa forma, nunca é demais repetir o que os outros já escreveram, a saber, que a leitura transforma as pessoas. A leitura torna o ser humano mais tolerante, sábio e acolhedor. Somente os idiotas, os tiranos e os ignorantes, pensam o contrário. Aliás, estes, nunca leem.

Sendo a leitura uma atividade vital para o ser humano, seguem três Livros que merecem ser lidos em 2018:

1 - Bíblia

A leitura no Brasil ainda é uma atividade da burguesia.

O livro é um produto muito caro no país. Ele está acima das condições materiais das famílias. Dessa forma, o brasileiro não lê mais porque não tem acesso aos livros. Falta apoio. politicas de incentivo à leitura, de acesso aos livros. As poucas bibliotecas públicas que existem no país estão localizadas no Sul e Sudeste e muitas delas já estão fechando as portas por falta de apoio dos governos.

Paradoxalmente, a Bíblia é o livro mais presente na casa dos brasileiros. Devido o trabalho de muitas igrejas, principalmente pela ação da Sociedade Bíblica do Brasil (SBB) de distribuir gratuitamente, todos os anos, milhares de Bíblias em escolas e hospitais, não resta dúvida que em cada família brasileira existe pelo menos uma Bíblia para três brasileiros. Dessa forma, com a Bíblia presente em nossas casas, aí está a nossa primeira dica de leitura para 2018: a Bíblia.

Para além de qualquer ideologia religiosa, na Bíblia encontram-se romances, contos, fábulas, relatos históricos e de guerras. Existem heróis, anti-heróis, exemplos de vida, palavras de motivação e, principalmente, palavras de salvação. As pessoas que acreditam na Bíblia como Palavra de Deus, os cristãos têm como livro sagrado.

No entanto, a Palavra de Deus é para todos. Não é apenas para os crentes. A Bíblia, enquanto conjunto de livros, se presta a inúmeras interpretações. Então, aqui vai uma dica específica: se você gosta de filosofia, assim como esse colunista aqui, comece pelo livro de Jó, o livro mais filosófico Bíblia. Boa leitura.

2 - A Luta pelo Direito

O autor do livro é o jurista alemão Rudolph Von Thering. Um livro simples e de fácil compreensão. Por isso, num país tão injusto como o Brasil, onde direitos fundamentais não são cumpridos, nada mais oportuno do que começar o ano lendo um livro que abra a mente sobre um assunto tão atual e pertinente.

O livro inicia com essas palavras: “A paz é o fim que o direito tem em vista; a luta é o meio de que se serve para conseguir”.

Em suma, para o autor o direito é uma constante luta, todas as leis justas que existem no mundo foram estabelecidas por meio da luta. Dessa forma, todos os homens são chamados a lutar por seus direitos. Todo homem é um lutador nato pelo interesse da sociedade.

Isso significa que a Cidadania é uma conquista por meio da luta e não é de graça. Enfim, a cidadania não vem por meio das redes sociais, pelo WhatsApp. É uma luta diária. São os esforços individuais o caminho para o alcance da paz e da cidadania que o direito tanto visa.

3 - Dos Delitos e das Penas

Livro clássico do mundo do Direito, de autoria de Cesare Beccaria, que, apesar de ter sido publicado em 1764, em Milão, na Itália, apresenta grandes contribuições nos avanços do sistema penal até os dias atuais.

É um livro que pode ser lido por qualquer pessoa, mas que os acadêmicos de direito não podem deixar de ler. O livro apresenta o tema de forma simples e acessível ao leitor não acostumado com o linguajar jurídico, o primeiro dos diversos problemas existentes no sistema criminal vigente.

A saber: é através do uso das leis em benefício de uma minoria da população que ela consegue acumular renda e privilégios, ao passo que a maioria da sociedade enfrenta uma situação de miséria, sofrendo com o descaso das autoridades. Algo bem parecido com a realidade brasileira de hoje, não?

O autor utiliza a teoria do Contrato Social de Rousseau para explicar a origem das penas e com isso delimitar o direito de punir. Segundo ele, cada indivíduo sacrifica uma pequena parcela de sua liberdade para viabilizar a sua sobrevivência na sociedade, devendo o soberano depositário das liberdades, em resposta, oferecer segurança e garantir o bem geral.

Em suma, o livro “Dos Delitos e das Penas” vale a pena ser lido em 2018 por tocar a realidade que o país vem vivendo nesses últimos anos, de corrupção e grandes operações da Polícia Federal, e do Ministério Público Federal, como a Lava Jato e tantas outras. Enfim, nas entrelinhas do livro o autor adverte que a lei pode tanto servir a sociedade, com a finalidade de proporcionar segurança e bem-estar, quanto, neste mesmo intuito, ocasionar injustiças. Fique atento!