A loja de bijuterias de José Correa, de 72 anos, fica em local de grande circulação de pessoas, o que é bastante favorável para as vendas. Por outro lado, a concorrência é grande. A maioria das lojas das proximidades pertence à comerciantes orientais, famosos por ofereceram preços convidativos.

Pensando em uma maneira de lidar com esta concorrência, o dono da Calde Bijuterias, localizada na rua Barão de Itapetininga, no centro de São Paulo, resolveu apostar em uma faixa ''patriótica'', anunciando que aquela loja era de um brasileiro e que, mesmo assim, todas as peças estão com os preços lá embaixo; qualquer bijuteria por apenas R$2,99.

''Essa loja é de brasileiro'', anuncia a faixa em frente a loja de José Correa. O comerciante contou a Folha de S. Paulo que a ideia surgiu da necessidade de fazer algo diferente para as festas de final de ano; ele conta que as propagandas tradicionais de Natal estão muito batidas e que resolveu apelar para o senso de cooperação do brasileiro para com seus compatriotas.

Ele conta que ''pedir para um brasileiro ajudar outro brasileiro'' surtiu efeito. O comerciante não entra em detalhes a respeito dos valores, mas diz que as vendas de sua loja neste ano, com a faixa, dobraram em relação ao mesmo período no ano anterior, sem a faixa.

Segundo o Censo 2010, 43% de todos os moradores do bairro da República são imigrantes. Nos bairros da Sé, Brás, Pari e Bom Retiro, os números são semelhantes. Estes bairros são os bairros paulistanos que mais concentram habitantes de outros Estados e países, juntamente com o Jardim Anhaguera, na periferia das Zonas Norte/Leste da cidade.

A faixa do comerciante José Correa está diretamente ligada a estes números; todas as outras lojas de bijuterias e acessórios ao redor são propriedade de asiáticos.

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Negócios

Os donos de duas lojas próximas, a Wishing e a Lilian Presentes, foram procurados pela equipe da Folha de S. Paulo, mas preferiram não falar a respeito da faixa da Calde Bijuterias. Outros comerciantes, também imigrantes e que preferiram não ser identificados, contam que se sentiram '' afrontados'' pela faixa.

Correa nega que sua intenção tenha sido ''explicitar o estrangeirismo'' dos concorrentes.

Ele diz que está apenas cuidando de seus Negócios e que ama seu país e que aqueles que amam o país também, irão comprar em sua loja.

Os clientes reagiram de diversas maneiras. A faxineira Neide Souza, de 47 anos, conta que entrou na Calde por causa do preço. Já a estudante Catarina de Sá e Lima, de 23 anos, declarou que foi a rua Barão de Itapetininga para comprar uma presilha de cabelo em qualquer lojinha do local; ela conta que viu a faixa e pensou: ''Por que não aqui?''. Para ela, o brasileiro já é tão prejudicado em tanta coisa, que não custa ajudarmos uns aos outros.

A desempregada Lia Dias, de 32 anos, seguiu pelo mesmo raciocínio; ela diz que foi comprar um presente de Natal atrasado e acredita que se as pessoas daqui gastassem com os próprios brasileiros, haveria menos gente desempregada no país.

E você, o que achou da atitude do comerciante?

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