Em dezembro do ano passado, o presidente Evo Morales propôs o "Novo Código do Sistema Criminal", promovendo diversas mudanças significativas no que se refere aos direitos civis, principalmente ao direito de culto. O texto, no artigo 88, parágrafo 12º caracteriza como crime "o recrutamento de pessoas para participação em organizações religiosas ou de culto", prevendo prisão de 7 a 12 anos para quem for pego evangelizando. Segundo entendimento dos pastores e líderes católicos, a resolução pode censurar e inviabilizar qualquer atividade religiosa ou manifestação realizada fora dos templos, como caminhadas, procissões e até mesmo retiros.

Líderes evangélicos e católicos resolveram se unir para protestar.

No último dia 08/01, centenas de evangélicos estiveram em frente ao palácio do governo para protestar em um ato programado. A Conferência Episcopal Boliviana (CEB) através da assessora jurídica Susana Inch, disse: "“Há uma forte preocupação na Igreja Católica e em todas as instâncias religiosas por causa do conjunto de leis que estão gerando ambiguidades, onde os direitos fundamentais das pessoas podem ser afetados… resultando em uma perseguição injustificada”.

Por que esta decisão é tão previsível

Mesmo quem conhece pouco sobre os regimes de esquerda - e mais precisamente, os regimes latinos -, já consegue compreender que esta decisão de Evo Morales é altamente justificada pelo ideal comunista, que difunde abertamente a extinção do cristianismo como fator comprometedor do sistema. Um dos argumentos de Morales para sua proposição é "a liberdade [...] é concessão do estado", o que caracteriza bem o pensamento totalitário típico.

A grande questão é que o cristianismo representa uma posição contrária à sujeição estatal, com o entendimento de que apenas Deus possui a soberania plena, sendo o estado ordenado por Ele como seu instrumento para "punir os maus, proteger as viúvas e os órfãos" (vide Romanos 13:3 e 4). Outra questão relacionada, é que a centralidade do estado como único administrador e concessor da ordem pública implica em adoração ao sistema. Como já deixara bem claro o irmão heterozigoto do comunismo, o fascismo de Mussolini, "tudo para o estado, nada contra o estado e nada fora do estado".

Assim, o que Morales está propondo é a sujeição de todas as esferas sociais ao estado. Ele reconhece que a igreja não trabalha em detrimento disto, nem é obrigada em sua confissão de fé a se subjugar de tal forma. Então, compreendamos: faz sentido para ele, como fiel comunista, proibir a evangelização, pois é disseminação declarada de uma posição que corajosamente lhe responde, "somente a Deus prestarei culto" (Êxodo 20:3).

O que isto significa para o Brasil

A social-democracia existente no Brasil flerta fortemente com os ideais de regimes totalitários tais quais da #Bolívia e, porque não citar, da Venezuela. Ainda é fresca em nossa memória que Morales foi um dos presidentes latinos que mais se manifestou contrário ao impeachment de Dilma Roussef, ameaçando até intervir no Brasil com seu poderoso poder bélico de arcos e flechas. Caso sua proposição seja aprovada, representará um fortalecimento maciço do comunismo em terras latinas, angariando a simpatia de outros governos para a impulsão de novas "alianças vermelhas".

#2018 é ano de eleições, tornando condição sine qua non para qualquer pessoa que se auto declare cristão analisar atentamente em que tipo de aliança seu candidato ou partido está envolvido. Como já sabemos que o Partido dos Trabalhadores e demais aliados desenvolvem uma agenda ativa de atividades doutrinadoras e de reengenharia social, não seria impossível de que em alguma instância, eles tenham planejado algum tipo de represália semelhante às nossas igrejas.

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