Desde o início, a operação denominada 'Lava Jato', ganhou destaque no Brasil e no mundo e grande aderência popular por ter como foco central desvendar um grande esquema de corrupção que assola o Brasil, liderado por diversas autoridades, atores políticos e empresários de renome.

Porém, com o passar do tempo algumas situações e ações da 'Lava Jato' (nas diversas esferas de investigação e julgamento) começaram a ser questionadas, quais sejam:

1) Delações premiadas que não seriam 'espontâneas', tendo em vista que a maioria dos colaboradores já estava preso, com risco de ficar muitos anos ou o resto da vida preso, o que poderia comprometer a veracidade das informações;

2) Condenações com base apenas em delações (algumas proferidas pelo juiz federal Sérgio Moro e desfeitas pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região);

3) 'Sequestros relâmpagos' as famosas 'conduções coercitivas', em afronta expressa ao Código Penal Brasileiro, mesmo quando o investigado não tenha sido previamente intimado ou se recusado a comparecer;

4) Autoritarismo dos juízes e procuradores, especialmente com foco no 'punitivismo' e 'ativismo jurídico', com excessos de prisões temporárias (ou mesmo sem provas suficientes) - como é o caso do banqueiro André Esteves;

5) Foco no PT e no ex-presidente Lula (observe-se o Power Point do Ministério Público Federal), sendo que, todos sabem que a corrupção está enraizada em todos os partidos políticos, muitos com provas muito mais robustas.

Diminuição da participação popular

Muitas pessoas deixaram de comparecer às ruas para clamar pelo 'punitivismo' da Lava Jato (ideologia aparente de Deltan Dallagnol e cia.), a 'força tarefa' não assume, mas há indícios de que tal diminuição tenha ocorrido em virtude de determinados excessos e 'equívocos da operação'.

Prejuízo

Além de 'quebrar construtoras' e contribuir para diversas demissões em massa, a Lava Jato acumula alguns erros: o banqueiro André Esteves foi preso e estima-se que a fortuna do banco (à ocasião) tenha tido valor reduzido em 10 bilhões (mais que o dobro do que a força tarefa recuperou). André (aparentemente com medo de um processo de indenização atrapalhar a absolvição por falta de provas - que já foi pedida pelo próprio STF, diz que não vai processar a União).

Porém, diversas outras empresas passaram pela mesma situação e a Lava Jato, pregando 'punitivismo', foi responsável, ainda que indiretamente, de muitas demissões Brasil afora.

Responsabilidade

É claro que o objetivo de punir alguém não está ligado (juridicamente) apenas à reparação do dano causado - existem outros objetivos como: repressão (eliminar este tipo de conduta); e a responsabilização dos infratores, porém, é possível que existam formas menos 'penosas' para cumprir esta missão. Não é fácil 'refundar' a República de um dia para o outro.

Como disse Eike Batista: "revoluções também cometem erros"., ainda é cedo para dizer se a Lava Jato conseguirá reduzir o índice de corrupção no Brasil (prefeituras e pequenas cidades afora, principalmente), nem se conseguirá punir quem realmente 'precisa' e na medida proporcional e razoável, porém, um dos grandes ensinamentos que a evolução política trouxe é que: "não é cortando a mão de quem rouba que alguém vai conseguir transformar a cultura enraizada e resolver de vez os reais problemas de - moral, índole e responsabilidade", mas é claro que a população não estudou a evolução dos princípios jurídicos e do código penal.

Lucro zero (Prejuízo)

Ainda que diminua o volume de crimes de corrupção (se é que vai acontecer) e alguns sejam punidos, em termos de reparação do dano, possível dizer que a Lava Jato não tem sido eficaz. Se por um lado, recuperou cerca de 4 bilhões [VIDEO] de reais, a Petrobras vai enviar cerca de 10 bilhões (em reais), para os EUA, em virtude de acordo com investidores.

É claro que todos ficamos 'tristes' com malas e caixas de dinheiro encontradas em um apartamento, porém, menor exposição de instituições, e acordos realmente significativos de leniência com partidos políticos e empresas, caso fosse condizido com menos deterioração de empresas e partidos, poderia, quem sabe, ser mais rentável e eficaz.