Não é necessário ser um grande leitor da Bíblia para conhecer a história de Sansão. Um homem dotado de uma força sobrenatural que luta para defender seu povo da opressão dos filisteus, os arqui-inimigos dos israelitas. Parece até a velha história do bem contra o mal que sempre aparece nos filmes de super-heróis com poderes extraordinários, o que, no caso desse filme, é quase isso. 'Sansão', que será lançado em 16 de fevereiro de 2018, faz parte do novo tipo de filmes de temática bíblica, incluindo 'Noé' (2013) e 'Êxodo: deuses e reis' (2014) que exploram bastante os efeitos especiais para compor as cenas. Aquilo que não se via antigamente em filmes desse gênero, agora virou moda.

Os recursos hollywoodianos que impressionam e hipnotizam plateias mundo à fora têm trazido às narrativas bíblicas muito mais ação do que se está acostumado a ver. Ao que parece, isso tudo contribui, e muito, para o aumento das bilheterias, ou seja, do faturamento. A popularização de filmes assim vem crescendo, conquistando público entre os jovens que gostariam de ver um filme bíblico que não fosse "lento" ou "chato", como se afirma.

Elenco de peso + enredo fraco = decepção

Como já era de se esperar, para uma grande produção, grandes atores. Historicamente vemos isso em filmes como 'Noé', protagonizado por Russel Crowe, que também conta com nomes de peso como Anthony Hopkins, Emma Watson e Jennifer Connelly. Já em 'Êxodo: deuses e reis', Christian Bale, Sigourney Weaver, John Torturro e Ben Kingsley estrelam o longa.

Com artistas como esses, era de esperar que os filmes fossem um sucesso. Porém, não é bem assim que as coisas acontecem. Além de não superarem as expectativas, os longas ainda geraram muita decepção, principalmente em relação ao roteiro. E não se tratam daquelas mudanças que os roteiristas e diretores fazem aqui e acolá quando se faz uma adaptação para o Cinema, pois isso é mais normal do que se pensa. Trata-se de mudanças tão drásticas que alteram até mesmo o propósito principal da narrativa bíblica. Em 'Êxodo: deuses e reis', Arão, irmão de Moisés (e primeiro sumo-sacerdote), simplesmente foi excluído da história. Moisés age como um terrorista tentando libertar o povo com sua própria força. Sem contar que a abertura do Mar Vermelho destoou e muito do que diz o texto original. A tentativa de aliar o que diz a ciência com o relato bíblico, tirou o brilho daquilo que seria uma das cenas mais esperadas pelo público. A espada no lugar do cajado também é um ponto negativo, pois retira de Moisés a figura pastoral que deveria acompanhá-lo pelo resto da vida.

Em 'Noé', Russel Crowe, ainda com cara de gladiador, vive o protagonista que não lembra em nada o ancião bíblico. O mais esquisito é a "forçação de barra" ao retratarem um Noé vegetariano, que considera os animais como seres sagrados. A história ficou tão distorcida que causou um certo mal-estar na comunidade religiosa, ao ponto de ser reprovado por 98% dos entrevistados pela instituição Faith Driven Consumers, dos EUA. Esse tipo de insatisfação também acontece com a adaptação de outros livros não cristãos, a exemplo de Harry Potter que, segundo os leitores da obra, ficaram frustrados por haver muitas diferenças entre filme e livro. Imagine a adaptação para o musical, em 2018 na Broadway, o que irá causar.

Sansão supera a "fraqueza" cinematográfica dos filmes bíblicos

O novo filme de Sansão também conta com pelo menos dois atores bastante conhecidos no cinema mundial, Billy Zane (O Fantasma) e Rutger Hauer (Fúria Cega) que interpretam personagens importantes na trama. O protagonista fica por conta de Taylor James, ator inglês não muito conhecido em terras tupiniquins, o que já deixa uma ponta de desconfiança quanto à performance do brutamontes. Ao que parece, os dois trailers lançados no final de 2017, mostram que pelo menos uma coisa vai ter nesse filme: muita pancada. Entretanto, deixando as desconfianças de lado, quem procura se informar um pouquinho mais, percebe logo que o filme possui um diferencial. O longa é produzido pela Pure Flix, empresa cristã responsável pelo sucesso 'Deus não está morto', e por isso, é quase certo que a história original será respeitada, ou pelo menos, não sofrerá mudanças que deixem o público frustrado. O mais interessante é saber que filmes dessa temática e com o calibre dessa produção contribuem bastante para a popularização de personagens bíblicos, principalmente entre os jovens que atualmente respiram super-heróis, semideuses, elfos, orcs, bruxos, etc. É claro que ninguém faz nada de graça e a produtora do filme espera lucrar bastante , mas deseja-se também que o longa seja visto com bons olhos e que abra as portas para muitas outras produções de bom gosto como se espera que Sansão seja. Agora é só esperar a estreia, comprar aquela pipoca e bom filme.