Ao longo da história, as mulheres vêm desempenhando um papel importantíssimo nas lutas por igualdade social e de gênero. Durante o século XIX, os movimentos feministas começaram a ganhar força e as #mulheres foram às ruas em busca do direito ao voto, alfabetização, liberdade civil, entre outros temas que ainda hoje são pautas de debates.

No meio rural não é diferente. As mulheres vêm lutando por reconhecimento e igualdade de direitos. Querem ser reconhecidas não somente como mulheres de agricultores, mas, sim, como agricultoras. Diversos grupos surgiram em todo o Brasil visando reivindicar o reconhecimento da importância do trabalho feminino no meio agrícola.

Diante desse panorama surgiu a necessidade da criação de um setor na política destinado às mulheres. Em 2003, o governo criou a Secretaria Nacional dos Direitos da Mulher, instituição que visa o debate e a criação de leis e políticas públicas de amparo e incentivo ao desenvolvimento das atividades femininas.

A importância da agricultura familiar e do trabalho das mulheres

Segundo Buainaim e Romero, a #Agricultura familiar é definida como um complexo sistema de produção, combinando diversas culturas, criação de animais e transformações primárias, voltadas para o consumo da família e para o mercado. Estima-se que mais de 70% de todo o alimento consumido venha de agricultores familiares. Entre estes alimentos, 87% da mandioca, 70% do feijão, 34% do arroz, 46% do milho (e a lista segue infindável) provêm do trabalho familiar no campo.

Sendo assim, as mão femininas são responsáveis por alimentar milhares de pessoas em todo o planeta. A falta de reconhecimento do trabalhos feminino no meio rural vem dos primórdios da estruturação social brasileira, que trouxe da Europa uma estrutura patriarcal e machista.

Há uma lenda enraizada na sociedade brasileira onde acredita-se que as agricultoras exercem um trabalho mais leve que os agricultores. Entre as principais atividades realizadas por elas destacam-se: os cuidados domésticos, o trato dos animais, ordenha de vacas, cuidados com a horta e o pomar e também com o jardim - atividades nada leves.

As atividades atribuídas aos agricultores (corte de lenha, reparo das edificações, uso de máquinas agrícolas, entre outras) também são realizadas pelas mulheres em uma escala gigantesca. Outro aspecto importante do feminino no meio rural é o aumento no número de mulheres responsáveis pela geração de renda nas famílias.

Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), estima-se que de 2000 a 2010 o número de agricultoras na chefia das famílias passou de 10,9% para 24,8%.

Esse crescimento tem como um dos fatores as políticas públicas que beneficiam as mulheres na aquisição de propriedades rurais - é importante ressaltar que tais politicas necessitam de melhoras e reestruturações.

Torna-se clara a necessidade do reconhecimento das trabalhadoras rurais no brasil. Trabalho esse que é muitas vezes invisível aos olhos da sociedade e do estado, mas que faz toda a diferença no dia-a-dia das pessoas.

As agricultoras são mulheres extremamente fortes, dotadas de um absoluto conhecimento acerca de sua propriedade, de suas plantações e animais. Apresentam o saber ancestral que gera a vida e a prosperidade. E a luta segue até que todas tenham voz!

Acompanhe o vídeo da Rádio Web #agroecologia sobre o tema: