Poucos jovens #brasileiros viram esse carro, mas a história dele reflete o que vem acontecendo em nosso país.

O primeiro automóvel chegou ao Brasil em 1891. E assim eles continuaram chegando, até que as primeiras fábricas aqui se instalaram nos anos 30.

Os anos passaram, até que um dia um homem chamado João Gurgel fez uma pergunta: "E se produzíssemos um carro brasileiro"?

A maioria das pessoas na época riu da "arrogância" de uma empresa nacional querer competir com as multinacionais instaladas em território brasileiro. Mas ele não baixou a cabeça; a fábrica foi inaugurada, e foi bem sucedida, conseguindo um expressivo grupo de clientes e fãs da marca.

Muitos são fiéis até hoje.

Décadas antes de o ex-presidente Barack Obama criar o seu bordão eleitoral "Yes We Can" (*), Gurgel passava a mesma mensagem ao povo brasileiro. Infelizmente, por conta de alguns erros estratégicos cometidos, e uma conjuntura econômica desfavorável, a Gurgel fechou suas portas em meados dos anos 90, após 27 anos de existência.

Essa trajetória meteórica da Gurgel mostra o que mais acontece no Brasil: Temos na administração pública, algumas ideias e iniciativas que beiram a genialidade, prosperam por um tempo, mas por falta de planejamento e continuidade, acabam sepultadas.

Isso talvez explique em grande parte o porquê de nossos altos e baixos.

Grandes desafios

As causas de nossa crise atual são variadas e muito complexas, mas algumas delas nos saltam aos olhos.

O Brasil infelizmente é carente de planejamento de médio e longo prazo, e quando ele acontece, com raras exceções, basta mudar o governante para que tudo seja "engavetado" e então os novos governantes começam seus mandatos "do zero".

Além disso, vivemos décadas de corrupção e impunidade imperando no Brasil, onde políticos e grandes empresários eram intocáveis, podiam tudo, e as leis nunca os incomodavam, levando a uma situação em que os contraventores se sentiam seguros para aumentarem a cada ano a ousadia de seus crimes, chegando à situação insustentável em que nos encontramos hoje.

E outra situação que agravou nossos problemas, é o velho hábito de deixar tudo para a última hora, e a falta de reformas tempestivas como as reformas da Previdência, Trabalhista e Eleitoral, entre outras, levaram ao agravamento do nosso martírio social.

A luz que surge no fim do túnel

Claro que ainda há muita impunidade no Brasil, muitas reformas a serem feitas, muito a ser resgatado, mas hoje vemos o avanço de iniciativas positivas, como a Lava Jato, que conseguiu recuperar um volume expressivo de recursos desviados pela corrupção, bem como colocar na cadeia muitos políticos e empresários corruptos.

Tais iniciativas trazem um pouco de esperança num futuro com menos corrupção, mais ética e mais eficiência sócio administrativa.

Também devemos lembrar o avanço da Internet e das Mídias Sociais e iniciativas populares, como a criação de grupos como o Movimento Brasil Livre, e o "Observatório Social", que disponibilizam informações que levam a uma maior conscientização e mobilização popular.

Embora a maioria de nossos políticos careça de credibilidade, e o abismo que os separam da população pareça intransponível, é fato que hoje o político já não se sente tão intocável, e vemos crescer a consciência de que o povo precisa acompanhar o que acontece na política, e cobrar ética e mudanças verdadeiras, não apenas medidas paliativas. O povo dá sinais que está aprendendo rápido essa lição.

Tais avanços podem parecer pequenos diante da enormidade da crise institucional que hoje atravessamos, mas são suficientes para nos dar esperança em um futuro melhor.

E assim como o Sr. Gurgel um dia ousou desafiar um ambiente hostil e criar a primeira montadora de automóveis em nosso país, é fato que o brasileiro continua criativo, inventivo, empreendedor, e com potencial mais do que suficiente para superar essa crise.

A grande pergunta que fica é se todas essas mudanças irão criar raízes, crescer, e nos fortalecerem como povo e como nação, ou se veremos o governo sepultar a Lava Jato e o clamor moralizador que grita nas ruas do Brasil.

(*) Sim, nós podemos #2018 #Fé